O sintoma mais doloroso da crise civilizacional (…) é um difuso mal-estar da civilização. Aparece sob o fenômeno do descuido, do descaso e do abandono, numa palavra, da falta de cuidado.

(…) Há um descuido e um descaso na salvaguarda de nossa casa comum, o planeta Terra. Solos são envenenados, ares são contaminados, águas são poluídas, florestas são dizimadas, espécies de seres vivos são exterminadas; um manto de injustiça e de violência pesa sobre dois terços da humanidade.

Um princípio de autodestruição está em ação, capaz de liquidar o sutil equilíbrio físico-químico e ecológico do planeta e devastar a biosfera, pondo assim em risco a continuidade do experimento da espécie homo sapiens e demens (…)

Face a essa situação de falta de cuidado, muitos se rebelam. Fazem de sua prática e de sua fala permanente contestação. Mas sozinhos sentem-se impotentes para apresentar uma saída libertadora. Perderam a esperança.

Outros têm fé e esperança.  Mas propõem remédios inadequados aos sintomas de uma doença coletiva. Não vão à causa real das mazelas. Tratam apenas dos sinais.

(…) Importa buscar respostas, inspiradas em outras fontes e em outras visões de futuro, para o planeta e para a humanidade.

Nesse sentido, as respostas vêm sendo formuladas concretamente, pelo conjunto de pessoas que ensaiam práticas coletivas em todos os lugares e em todas as situações do mundo atual. Portanto, não há um sujeito histórico único. Muitos são os sujeitos dessas mudanças (…) Elas emergem de um caminho coletivo que se faz caminhando.

Excertos do livro Saber Cuidar, Editora Vozes, 2012.

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Leonardo Boff

Filósofo, Teólogo, Escritor

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