Adeus, Café!

Adeus, Café!
 
Zezé Weiss
 
Uma cobra anônima picou o meu Café na manhã chuvosa desta quinta-feira, 18 de novembro.
 
Era mania do meu Café pular a janela bem cedo, dar seu passeio pelo quintal e voltar pra cama serelepe, pra dormir mais um pouco. Chegava miando, alegre da vida. Encostava o focinho no meu braço e, enquanto eu não me levantava, também ele não se levantava.
 
O Café bagunçou os meus afetos. Antes dele, nunca deixei bicho dormir no meu quarto, muito menos na minha cama. Ele rompeu essa barreira. Decidia onde queria ficar, e quando queria se encostar. Era o dono do pedaço.
 
Era o Café quem decidia quando pular no teclado do meu lap top, inviabilizando total o meu trabalho; quando trazer um lagarto pro quarto, pra chamar a minha atenção. Empurrasse, ele pulava de novo, uma, duas, dez vezes. Inútil resistir.
 
De dia, o Café estava onde eu estivesse, o tempo todo. Hoje, ele voltou do passeio com a patinha inchada. Era uma baita de uma picada de cobra. Em pouco tempo, o corpinho enrijeceu.
Tomou o soro antiofídico, no hospital veterinário. Ficou internado. Teve várias paradas cardíacas.
 
No começo da tarde, o coraçãozinho do meu Café parou de vez. 
 
Um bichinho tão dengoso, tão terno, tão companheiro. O gatinho mimoso que amoleceu meu coração foi embora num sopro de vento.  Sou só gratidão pelo tempo feliz que vivemos juntos.
 
Adeus, Café!
 
P.S. Gratidão, Ed, por trazer o Café pra casa. Você com essa sua mania de dar guarida a bichinhos perdidos na maldade do mundo. Gratidão por insistir comigo para ficar com ele. Acabou que o Café virou uma das grandes paixões da minha vida. Me causou imensa alegria. Gratidão!
 
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