Por Leonardo Boff

A Amazônia é um bem comum da Terra e da humanidade. O Brasil pode ter a administração, que é muito ruim. Mas ele não é dono. O Emmanuel Macron, presidente da França, foi o único que entendeu isso.

A Amazônia é um bioma muito rico e, ao mesmo tempo, extremamente frágil. A vegetação não sobrevive do que retira do chão, mas do entrelaçamento entre as raízes das plantas, dos nutrientes presentes nas fezes dos animais, da umidade que cai das folhas, já que o solo ali, de 30 a 40 centímetros para baixo, é pura areia. Se a gente não cuida, a região pode virar uma espécie de Saara.

Devastar a maior floresta tropical do mundo significa acabar com uma imensa reserva de água doce e com um importante filtro do equilíbrio climático global, que garante as chuvas numa área que vai desde o Centro-Oeste brasileiro ao norte da Argentina. Isso, para citar o mínimo. Então não estamos falando de uma tragédia localizada, que afetaria apenas o mundo periférico, mas toda a civilização.

Entramos numa fase planetária, que exige uma governança mais global, capaz de resolver problemas relacionados à água, ao calor, a tudo que sustenta a vida. A Amazônia, portanto, não é um problema brasileiro, mas do mundo todo.

Leonardo Boff – Escritor. Teólogo. Filósofo. Autor de “Ética e espiritualidade: como cuidar da casa comum”. Excerto de entrevista à jornalista Cecília Emiliana/www.uai.com.br.

 

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