Castanheira-do-Brasil: Entre a vida e a morte

Há sete anos venho trabalhando com pesquisaa arqueológica no âmbito do licenciamento ambiental, e em todo esse tempo tive o privilégio de conhecer alguns estados da Amazônia brasileira, entre eles Acre, Rondônia e Pará, percorrendo diversas paisagens, entre florestas, montanhas e pastagens.

Durante o trabalho, sempre realizo o registro fotográfico das paisagens por onde passo. Em uma das viagens, em junho de 2016, percorri uma boa extensão de áreas rurais de alguns municípios nas margens da rodovia transamazônica, entre elas Pacajá e Novo Repartimento, no estado do Pará. Observei diversas castanheiras isoladas, de todas as formas e tamanhos, lutando por sua sobrevivência em meio ao avanço do desmatamento e das pastagens.

Comecei, então, a fotografar diversas castanheiras.

Tento, assim, expor o contraste entre a vida e a morte da castanheira-do-Brasil, entre o avanço do “progresso” e o desenvolvimento econômico, em detrimento da destruição da árvore-símbolo de uma floresta.

Em cada estrada percorrida, em cada curva ou trilha, o que se vê é uma imensa solidão de árvores que anseiam por suas florestas e, não suportando mais o isolamento, se entregam à morte.

Por isso, é uma solidão que mata, e o que resta são somente verdadeiros cemitérios de castanheiras.

A castanheira-do-Brasil (Bertholletia excelsa), árvore alta e de beleza única, encontrada exclusivamente no bioma Amazônia, vem sofrendo com o desmatamento desenfreado e o aumento das áreas de pastagem. Algumas castanheiras ainda resistem, apesar de todo o impacto, em meio à imensidão das áreas desmatadas, enquanto que de outras resta somente o seu esqueleto, de cor cinza, às vezes esbranquiçada, lembrando ossos totalmente desprovidos de vida.

ANOTE AÍ:

Fernando José Cantele
Graduado em História, com formação complementar em arqueologia, cursando especialização em Cultura Material e Arqueologia. Atua há oito anos com arqueologia preventiva no âmbito do licenciamento ambiental.

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