Duda Mendes – Xapuri, Acre
Primo do Chico Mendes, a cara dele, reencontrando a amiga Mary Allegretti, em sua colocação. Vive bem com 300 ha de mata, de onde tira seringa e até mais de 1.000 latas de castanha por ano!!!
 
Tem roça, fruta e muitos pequenos animais. O quebrador de castanha na mesa do quintal ficou de enfeite, hoje tem máquina elétrica pra fazer o serviço. Tem 50 ha de pasto mas vendeu os animais, agora só aluga o pasto.
 
A criação dá trabalho e nao esta alinhada com o que ele mais ama, a “mãe floresta”. Além disso, gosta mais de usar seu tempo pra organização social. Xapuri agora tem nova cooperativa!
 
Enquanto conversávamos, o sogro trouxe de moto duas cestas de macaxeira, com aquele sorriso maroto. A arvore caida no caminho fez a gente dar uma tremenda volta pra chegar. Na volta o pessoal foi lá tirar.
 
Já na cidade, de novo na frente da casa do Chico Mendes, a foto é de turista e para todos. Mas é só pra alguns estar ao lado da Mary Allegretti que fez/faz parte e conta muito dessa história toda que move o mundo!
 
Ana Cristina Barros – Consultora. Pesquisadora. Escritora. Anja da Floresta. As fotos desta matéria são todas de Ana Cristina.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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