Receita de Tacacá, de Luiz Bacellar (1928 – 2012)

Ponha, numa cuia açu
ou numa cuia mirim
burnida de cumatê:
camarões secos, com casca,
folhas de jambu cozido
e goma de tapioca.
Sirva fervendo, pelando,
o caldo de tucupi,
depois tempere a seu gosto:
um pouco de sal, pimenta
malagueta ou murupi.
Quem beber mais de 3 cuias
bebe fogo de velório.
Se você gostar me espere
na esquina do purgatório.

Luiz Bacellar foi um poeta nascido em Manaus, apontado como um dos maiores nomes da literatura amazonense. No poema em análise, ensina o leitor a fazer tacacá, uma refeição típica da região amazônica.

Para quem não conhece os termos que são usados, o poema parece quase um enigma, por estar cheio de regionalismos. Trata-se de um prato feito a partir de produtos locais, que se acredita ser inspirado numa sopa indígena.

Com humor, o sujeito também avisa que a iguaria é muito picante e não deve ser consumida em excesso. Uma composição incomum, que segue a estrutura de uma receita, parece ser uma homenagem à gastronomia e aos costumes da região.

Fonte: Cultura Genial

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