Diz a lenda que, antes de virar o temido peixe-elétrico da Amazônia, o Poraquê era um exímio caçador e um valente guerreiro de uma bonita aldeia indígena, localizada perto do fenômeno da pororoca, que é onde as águas do Rio Amazonas encontram as águas do mar, lá no Amapá.

Por lá contam que, nos tempos de festa, era sempre Poraquê quem trazia a melhor caça, era sempre ele que mais vencia nos combates. Porém, contam também que Poraquê nunca estava feliz com suas conquistas, que sempre queria mais, que na verdade o que ele queria era ser o maior guerreiro da face da Terra.

Para se tornar o grande guerreiro, Poraquê tentou, um dia, dominar o fogo, mas as labaredas o fizeram recuar. Ele tentou, então, dominar o grande rio, mas uma pororoca enviada contra ele por Iara, a sereia das águas, o derrotou outra vez. Foi então que Poraquê subiu em um pé de vento e pediu ao deus trovão um relâmpago emprestado.

Poraquê, por fim, conseguiu o que queria. Com seu relâmpago, fez uma borduna e, com ela, nos frequentes dias chuvosos, invocava os raios. Foi assim que ele se fez grande, derrotando com sua borduna de raios os inimigos de sua aldeia. Porém um dia, depois de vencer mais uma batalha, notou sangue em sua borduna. Ao lavá-la, nas águas fortes do Rio Amazonas, um dos raios caiu na água e o transformou em um peixe diferente que, para se defender, ao ser atacado, dispara rajadas elétricas sobre seu inimigo.

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