Ritual

de Astrid Cabral (1936)

Todas as tardes
rego as plantas de casa.
Peço perdão às árvores
pelo papel em que planto
palavras de pedra
regadas de pranto

Astrid Cabral é uma poeta e contista de Manaus, cuja escrita é fortemente marcada pela proximidade com a natureza. Em Ritual, o sujeito lírico está no seu espaço doméstico, regando as plantas.

No poema, “ritual” pode ser interpretado como um hábito, algo que faz parte da rotina, ou como uma cerimônia religiosa / mágica. A ambivalência parece ser propositada.

Por escrever livros de poesia, impressos em papel, o eu lírico se sente culpado, já que contribui para que mais árvores sejam abatidas. Assim, enquanto cuida das suas plantas, pede perdão.

Embora seja uma composição muito curta, parece conter uma grande mensagem: precisamos ter consciência. Enquanto a nossa espécie continuar explorando os bens naturais do planeta, precisamos preservar a natureza e valorizar tudo o que ela nos dá.

Fonte: Cultura Genial

 

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