O assoreamento dos rios consiste no processo de arrastamento de partículas de solo pelas chuvas, das áreas mais altas das bacias hidrográficas para o leito dos rios, em um processo natural, ou seja, ocorre na natureza há milhões de anos. No entanto, nas últimas décadas, o uso insustentável do solo e dos recursos naturais vem potencializando o assoreamento dos rios e ameaçando a biodiversidade.

Primeiramente, é necessário entender que a vegetação é um dos principais controladores naturais da erosão hídrica. Portanto, uma vez que a cobertura vegetal é retirada sem a utilização de critérios de conservação dos solos, a superfície fica suscetível à ação erosiva das chuvas, aumentando assim a quantidade de sedimentos transportados aos rios.

Com o aumento da taxa de assoreamento, os rios podem se tornar impróprios para a navegação. Além disso, o aumento da turbidez da água reduz a entrada de luz solar, afetando o plâncton, reduzindo a taxa de oxigênio dissolvido na água e, assim, acometendo diretamente peixes, anfíbios e outros animais que dependem dos seres vivos encontrados nos rios.

No Semiárido do Brasil, por exemplo, o contínuo assoreamento dos cursos de água é consequência de manejo inadequado dos solos, destruição das matas ciliares, abertura de estradas nas zonas rurais sem estruturas de contenção de sedimentos, desmatamento, salinização e abandono de áreas agrícolas.

De acordo com informações de agricultores e pesquisadores do Sertão de Pernambuco, os rios e riachos intermitentes da região já não são como eram há três ou quatro décadas. As nascentes deixaram de verter água, as espécies nativas das matas ciliares se tornaram escassas e os poços naturais nos leitos dos rios, que armazenavam água durante os meses de seca, encontram-se assoreados.

Portanto, é imprescindível promover em âmbito local, regional e nacional, ações que visem à conscientização ambiental, ao desenvolvimento de técnicas sustentáveis nas bacias hidrográficas, à fiscalização ambiental, recuperação de áreas degradadas, recomposição de matas ciliares e recuperação das nascentes.

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Eduardo Henrique

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