Depois de perder o apoio do partido republicano na votação do Obamacare, presidente Trump toma decisão que vai contra  seu eleitorado, desmantela Plano de Energia Limpa  e promove retrocesso ambiental nos Estados Unidos

A ordem executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinando que a Agência de Proteção Ambiental revise o Plano de Energia Limpa da era Obama para reduzir as medidas de controle das emissões de carbono, vai contra a opinião pública norte-americana, incluindo seu eleitorado.

Os apoiadores de Trump são esmagadoramente favoráveis à energia renovável – 84% apoiam a expansão da energia solar nos EUA e 77% acreditam que as terras públicas devem ser usadas para gerar energia renovável.  Entre os eleitores republicanos, 57% apoiam a participação dos EUA no Acordo de Paris e 55% dos eleitores de Trump apoiam as políticas do governo Obama sobre mudança climática.

Apenas 28% dos eleitores do atual presidente dos EUA acreditam que o país não devem participar do Acordo de Paris e apenas 21%  acreditam que nada deve ser feito para reduzir a poluição que causa as mudanças do clima.

Não é por acaso que democratas e republicanos unem-se no apoio ao combate ás mudanças climáticas: “O conjunto de políticas de Trump desestimula a inovação, que sempre foi o motor do crescimento americano, e no setor mais quente da economia global, o de energias renováveis”, explica Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.  “A economia do século 21 está se afastando definitivamente das fontes de energia dos séculos 19 e 20, e outros países, como a China, vêm assumindo a liderança nessa transição”,  completa.

De forma geral, os americanos são muito favoráveis ao combate às mudanças climáticas – 71% acham que os EUA devem participar do Acordo de Paris,  89% apoiam mais usinas de energia solar e 83% apoiam mais parques eólicos.

Três em cada quatro norte-americanos apoiam a regulamentação da poluição causada pelo carbono.   Ou seja, a decisão de hoje dificilmente ajudará a elevar os baixíssimos índices de aprovação de seu governo: segundo pesquisas, apenas 36% dos americanos aprovam o que Trump vem fazendo.

A decisão de Trump é baseada em estudos patrocinados pela indústria de carvão que são considerados como instrumentos de lobby setorial e, portanto, nunca poderiam ser usados para embasar políticas públicas. “Para favorecer seus comparsas da indústria fóssil, Trump abdica do interesse estratégico dos EUA. A ação climática, no entanto, segue firme nas esferas estadual e municipal, nos bancos e nas empresas.

As companhias americanas não vão querer, nem poder, ficar de fora da economia de século 21. Isso certamente levará o país para o rumo certo, independentemente dos rompantes do míope de plantão na Casa Branca”, destaca André Ferretti, coordenador geral do Observatório do Clima.

Para Paulo Artaxo, membro do IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change, desde 2004, “É fundamental que tenhamos um esforço coordenado de descarbonização da economia do nosso planeta. Como a economia hoje é globalizada, é essencial que todos os países se unam neste esforço.

Neste sentido, o decreto do presidente Trump é um passo atrás importante por representar o interesse de indústrias que estão não na vanguarda da tecnologia e das indústrias limpas, mas sim no atraso do século 18 e do século 19, como a indústria do carvão.

Então esperamos que este revés seja compensado por outros setores da economia norte-americana caracterizados por sua inovação tecnológica, tais como o das energias renováveis, e com isso nosso planeta possa ter um clima um pouco mais estável ao longo das próximas décadas.

Se os esforços do Acordo de Paris não forem contemplados, o aumento da temperatura pode ser de 3,5 a 4o C, o que pode ser devastador, tanto para os ecossistemas como a Amazônia, como para o sistema socioeconômico que caracteriza nossa sociedade de hoje.”

O ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, lembra que o mundo dos negócios caminha em direção oposta: “As forças do mercado, incluindo as preferências dos consumidores e o avanço tecnológico, são a principal razão para o aumento das formas mais limpas de energia. Consumidores, cidades e empresas continuarão liderando o esforço em prol da saúde pública e do combate às mudanças climáticas, mesmo que Washington não o faça”.

Foto: Revista Encontro

ANOTE AÍ:

Esta matéria nos foi gentilmente cedida por Rita Silva: rita@avivcomunicacao.com.br. Gratidão!

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