Por Antonio Villarreal

Uma das atitudes mais interessantes na conjuntura política brasileira é a definição dos movimentos populares ao governo atual de ser fascista. Vários movimentos sindicais e populares têm utilizado a denominação fascista para um governo que atua de forma populista e produz atos que podemos comparar ao movimento político liderado por Benito Mussollini, em 1919, com a criação do Fasci di Combattimento (Feixe de combate ou, em outras traduções, “ligas de luta”), que tinha como principal objetivo combater o avanço da esquerda na Itália.

O movimento, na época, juntou dois polos distintos: os miseráveis e desempregados insatisfeitos com a crise econômica depois da Primeira Guerra Mundial e a classe média nacionalista e a alta burguesia. Seus militantes ficaram conhecidos como fascistas.

Mussollini dizia que o fascismo não crê nem na possibilidade nem na utilidade de uma paz perpétua. “Só a guerra leva ao máximo de tensão todas as energias humanas e marca com um sinal de nobreza os povos que têm a coragem de afrontá-la. Para nós, fascistas, a vida é um combate contínuo e incessante. O fascismo não é apenas legislador e fundador de instituições: é também educador. Deseja refazer o homem, o caráter, a fé. […] O princípio essencial da doutrina fascista é a concepção do Estado. Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado. O indivíduo está subordinado às necessidades do Estado”.

Mussollini construiu sua ideologia a partir de três pilares. A primeira é a noção da luta contínua: todos homens honrados devem ir à luta e só os fracos e sem honra desejam a paz. Logo, tudo o que leve à guerra é justificável e nobre.

A segunda base do seu pensamento é a educação. Os fascistas querem mais do que estabelecer um governo autoritário. Seus fins iam além. Queriam interferir na vida pública, destruir os grupos e instituições responsáveis pelas relações privadas. Transformar a sociedade e a natureza humana por meio da combinação entre perseguição ideológica e terror, levando o medo e a submissão aos seres humanos. Procuravam criar e divulgar uma explicação histórica. Divulgando crenças sem comprovação e sem verificação científica. Apresentavam um mundo fictício e coerente por meio de uma propaganda sistemática e moderna.

A terceira base é a definição do Estado. Um Estado que está acima de tudo e todos. Um Estado que não pode ser questionado e sob o comando de um líder personalista. É no ditador que o Estado totalitário se realiza. Ele é o centro do poder.

No atual governo brasileiro, é possível identificar os três pilares do fascismo. O governo busca incentivar e legitimar o militarismo; procura criar um pensamento religioso e científico para suas ações educativas e culturais de forma fictícia; e tenta desregulamentar o Estado de direito existente no Brasil para transformá-lo num Estado totalitário sob o comando de um líder personalista.

Na comunidade científica se sabe que a história não se repete, pois, deve se contextualizar e levar em conta uma determinada circunstância, conjuntura, estrutura social, política e econômica que caracterizou a luta de classes do fato histórico.

Assim, fica nítido, que os atuais governantes, ao tentar reproduzir atitudes fascistas do passado, procuram apenas uma imitação deficiente, uma cópia malfeita, e, por conseguinte, longe de bases firmes, apenas um arremedo populista.

Por ser remedo, por estar desconectado da realidade de uma sociedade que construiu a partir de muita luta popular, um Estado de direito, uma Constituição democrática e um poder dividido em três poderes e forte o suficiente para desmascarar um novo totalitarismo no Brasil. Além de um novo elemento importante que neutraliza esse totalitarismo em terras brasileiras, o seu povo, que aprendeu a lutar, se organizou e acostumou a viver na democracia e a valorizar a Vida em toda a sua dimensão.

Por Antonio Villarreal: professor de história aposentado da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal. 

Fonte: Site do Sinpro 

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