Por Eduardo Pereira

A Casa da Flor, em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro, é uma construção singela, com paredes de taipa e esteios de madeira roliça, decorada com mosaicos, “feita de caco transformado em flor”, conforme Gabriel Joaquim dos Santos (1892–1985), filho de uma índia e de um ex-escravo, trabalhador nas salinas da Região dos Lagos, seu criador.

Conta seu Vivi, Valdevir Soares dos Santos, sobrinho de Gabriel e tutor da Casa da Flor, que a construção foi iniciada no ano de 1912, mas que foi somente em 1923, depois de um sonho, que o operário salineiro começou a decorar a casa com escultura, mandalas e flores feitas com búzios conchas, lâmpadas, garrafas quebradas, detritos industriais, pedaços de azulejo e cacos de louça recolhidos no lixo.

Tanto na parte interna da casa, onde Gabriel homenageou uma única figura da política brasileira, o presidente Getúlio Vargas, quando nos jardins externos, podem ser apreciadas esculturas de flores, sempre construídas em pares, complementadas por folhas, cachos de uva, carrancas, ou simplesmente traços abstratos.

Além do catre onde dormia Gabriel, o acervo da Casa de três cômodos minúsculos (quarto, sala e depósito) guarda ainda algumas peças de louça por ele recebidas e não utilizadas por estarem inteiras, já que o criativo arquiteto da construção inusitada, por princípio, só utilizava peças quebradas e material reciclado em sua edificação.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em setembro de 2016, a Casa da Flor foi comparada pelo conselheiro Leonardo Castriota, do Iphan, com outras obras internacionais também reconhecidas como patrimônio cultural, como a Watts Towers, em Los Angeles (USA) – criadas por Sabato Rodia (1879–1965), um imigrante italiano trabalhador da construção civil – e o Palais Idéal du Facteur Cheval, em Hauterives (França) – construído por Ferdinand Cheval (1836–1924), um carteiro francês.

COMO CHEGAR: Partindo do Centro de São Pedro da Aldeia pela RJ-140, sentido Cabo Frio, placas indicam o caminho até a Casa da Flor, localizada em uma via lateral denominada Estrada dos Passageiros, 400 metros distante do Km 06 da rodovia. Lá chegando, basta bater no portão lateral, onde mora seu Vivi, para uma visita guiada ao custo de R$ 3 por pessoa. Para complementar a renda, seu Vivi vende chaveiros e panos de prato com imagens da Casa da Flor.

Eduardo Pereira – Sociólogo. Imagens – Divulgação.

 

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