(E ele foi salvo por quem não queria por perto)
Por  Marcelo Abreu em sua página no Facebook
Este cidadão, Boris Johnson, primeiro ministro do Reino Unido, foi um dos maiores defensores do Brexit, saída do “seu mundo blindado” da comunidade europeia. Travou uma guerra. O que significa essa saída? Em linhas curtas, sem metáforas: O Reino Unido só serve para os ingleses. Outros europeus (nem mais outra gente) não são bem-vindos por lá.
Ele vence a guerra. Comemora com o seu jeito estranho, caricato. Passam-se os meses, não mais que meses. Vem um vírus que aterroriza o mundo e já dizimou mais de 100 mil seres, em menos de quatro semanas. Vou repetir: mais de 100 mil seres em dias. Dias!!! Nenhum outro vírus, nenhuma outra doença, até hoje, fez tanto estrago. Não, não é uma gripezinha.

O sujeito da foto, há menos de um mês, debochou do vírus e da sua capacidade letal. E nem cogitava o isolamento social. Disse: “Eu vou apertar a mão de qualquer cidadão. Até os infectados. Depois, só levar as mãos”. Ok.
Dias depois, mais precisamente há 12 dias, o “super-homem” inglês começou a sentir os primeiros sintomas da covid-19. Ficou em casa. A coisa piorou. Levado às pressas a um hospital público de Londres, parou na UTI. Viu e sentiu quão devastadora pode ser esse vírus. Por sorte, teve uma boa evolução. Deixou o hospital depois de oito dias.

Ontem, repousando numa casa do governo, fora dos arredores de Londres, fez um vídeo. Reconheceu o horror que viveu. Sentiu desespero. Teve medo de morrer. Agradeceu, comovido, aos médicos, citou nomes de alguns, de outros profissionais e, HUMILDEMENTE, raro num ser assim, pediu licença para citar o nome de dois enfermeiros. E disse, comovido: “Se meu corpo recebeu oxigênio suficiente foi porque, em cada segundo da noite, eles assistiram, avaliaram e fizerem as intervenções necessárias”.

A melhor parte vem agora. E sabe quem foram esse dois enfermeiros que ele fez questão de citar nome e nacionalidade? Jenny, da Nova Zelândia, e Luís, de Portugal.

Todas as gentes que ele não queria lá, imigrantes que, pós- Bretix, viram suas vidas mudarem de vez. Terão prazo para deixar o Reino Unido. Será que ele expulsará, ainda, Jenny e Luís?

Luis Patarma, um moço de 29 anos, há 4 pelejando pela terra de Boris Johnson, é de Aveiro, a Veneza portuguesa. Uma das cidades mais aconchegantes e românticas de Portugal. Ah, Aveiro!!!

É, pelo menos esse primeiro ministro aprendeu. No pior momento da sua vida. Quando o ar lhe faltou. Há outros, completamente psicopatas, ensandecidos e alucinados em alto grau, que nunca aprenderão. Nem mesmo quando o ar lhes faltar.

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