Por Hildegard Angel, para o Jornalistas pela Democracia

(uma paródia heresia do magnífico E AGORA, JOSÉ? de Drummond)

E agora, Mané?
O país acabou,
a luz apagou,
o emprego sumiu,
a noite é calor,
e agora, Mané?
e agora, você?
você que é sem nome,
que no Face é tigrão,
que se acha e ameaça,
que xinga, protesta,
e agora, Mané?

Está sem dinheiro,
não tem pro mercado,
seu vício é taxado,
já não pode beber,
já não pode fumar,
não pode pagar
nem eletricidade,
a noite é um horror,
o dia é mais tarde,
o transporte é mais caro,
só o riso é de graça,
mas não tem do que rir,
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Mané?

E agora, Mané?
Com a palavra cassada,
Dormir na calçada,
sem SUS, nem pra febre,
o almoço é jejum,
o jantar é não tem,
sua aliança de ouro,
vale um Big Mac,
ser pobre é destino,
sua incoerência,
seu ódio — e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe casa;
quer nadar no mar,
o mar virou óleo;
quer ir para Miami,
Miami não tem mais.
Mané, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se esperneasse
ao som do Lobão,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, Mané!

Sozinho no escuro
qual pobre coitado,
só ódio e agonia,
sem uma parede
para se encostar,
sem seu carrão vendido
pra não dar calote,
você marcha à ré!
Mané, para onde?

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