Por Thiago de Mello

Quem me sabe morando na floresta amazônica, a primeira coisa que me pergunta é se não tenho medo de piranha, se piranha não ataca a gente. Respondo, sem faltar com a verdade, que gosto muito de piranha na brasa e tanta vez já nadei em água de piranha.

Mas o caboclo está cansado de saber que, em tempo de piracema para a desova, ela não gosta de que a gente se intrometa no caminho dela e dá mordidas, de leve: mas uma só, na qual se esbarra nadando.

Principalmente sabe que o cheiro de sangue atrai as bichinhas: animal ferido corre não o risco, mas a sina de ser devorado a dentadas por centenas de piranhas.

Daí a expressão boi de piranha: quando o rebanho vai atravessar o igarapé a nado, o dono sangra um boi, que é lançado na água antes de todos. As piranhas, endoidecidas pelo sangue, tomam conta do pobre, enquanto o resto do gado atravessa sem perigo.

Thiago de Mello – Poeta. Escritor, em “Amazonas: águas, pássaros, seres  e milagres”, Editora Salamandra, 1998.

 

 

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