Mais de 100 entidades assinam manifesto pela revogação de decretos que facilitam acesso a armas de fogo

Por Suzana Camargo

A imagem revoltante acima mostra um veado-catingueiro abatido em São Vicente do Sul, na região central do Rio Grande do Sul. Assim como ele, milhares de animais são mortos por caçadores no Brasil todos os anos. Para que atrocidades como essa não se tornem ainda mais comuns, 137 organizações da sociedade civil enviaram uma carta – “Manifesto sobre Armas de fogo, Biodiversidade e Serviços ambientais” – aos presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre, pedindo a revogação de decretos e portarias que facilitam o acesso a armas de fogo.

“Temos acompanhado com grande preocupação o aumento da compra e, consequentemente, da disseminação massiva do uso de armas de fogo em nosso país, sobretudo desde o início da atual gestão do Governo Federal”, diz a carta coletiva. “É de extrema gravidade o fato de o Governo haver revogado três portarias do Exército que permitiam a rastreabilidade de armas, dificultando, e até impossibilitando, a identificação dos perpetradores de delitos os mais diversos. Também vale mencionar que decretos geraram ampliação da validade de registro para 10 anos e renovação automática para os ativos, reduzindo a verificação de capacidade técnica e psicológica dos proprietários de armas”.

De acordo com as entidades, um dos principais beneficiados pela “política armamentista do governo” é o grupo de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs).

“O registro concedido pelo Exército e a consequente autorização de compra de armas e munições têm grande influência no aumento da caça ilegal a animais nativos do Brasil. Uma vez que as armas foram compradas e registradas, é quase impossível fiscalizar como serão utilizadas”, denunciam as organizações. “A diminuição da diversidade dos animais silvestres ocasionada pela caça acarreta em impactos diretos sobre a estabilidade climática, deficiências nos ciclos naturais e outros serviços ecossistêmicos dos quais depende a nossa economia”.

Entre os signatários do manifesto público estão o Observatório de Justiça e Conservação, WWF- Brasil, Rede de ONGs da Mata Atlântica, Observatório do Clima, Fórum Brasileiro de ONGs, Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, Proteção Animal Mundial e Instituto Sou da Paz.

“Pedimos medidas urgentes por parte do parlamento brasileiro para que pautem e aprovem os Projetos de Decretos Legislativos que tratam do tema a fim de sustar esse processo de facilitação de acesso dos cidadãos (CACs) às armas e às munições que contribuem para a deterioração da segurança pública de nossa população e a destruição das condições de vida silvestre em nosso país”, conclamam as entidades.

Conforme mostramos aqui, em outras reportagens do Conexão Planeta, 73% dos brasileiros são contra o porte de armas e 93% da população é contra a caça de animais silvestres.

          Gato-maracajá morto por caçador de javalis

Atualmente, no Brasil, somente está liberada a caça de controle a uma espécie animal exótica e invasora, o javali-europeu (Sus scrofa) e a seu híbrido, o porco-doméstico (javaporco).

       

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Fonte: Conexão Planeta

 

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