Apesar do nome comum, iguanas-verdes (Iguana iguana) são verdes apenas quando bebês ou juvenis, mudando de cor à medida que envelhecem, tendendo então para marrom ou cinza. No Rio Grande do Norte, onde estas fotos foram feitas, são facilmente encontradas no alto de Embaúbas (Cecropia sp.), banqueteando-se com suas folhas.

Comumente confundidas com camaleões, estes e as iguanas pouco têm em comum, além do fato de serem répteis. Diferentemente das iguanas, nativas da fauna brasileira, os camaleões são da África e de Madagascar. Além disso, camaleões mudam a sua coloração quase que instantaneamente para camuflar-se e alimentam-se de insetos, projetando sua língua à distância para capturá-los, coisas que a iguana (que é herbívora, por sinal) é incapaz de fazer.

No Brasil, as iguanas-verdes são principalmente capturadas jovens para criação local ou para exportação ilegal. As fêmeas adultas capturadas são abertas para extração dos ovos e deixadas para morrer. Este tipo de exploração, junto com o desmatamento, tem comprometido suas populações.

Ainda que no Brasil caçar, capturar ou manter em cativeiro uma iguana sem autorização do IBAMA seja crime ambiental, dificilmente o autor deste crime sofrerá maiores consequências. Este fato, ocorrido em 2015, no RN, dá uma ideia do que acontece a pessoas que levaram a exploração de iguanas-verdes ao limite: após denúncia, a Polícia Ambiental apreendeu sete iguanas nas dunas no litoral.

No local, foi constatado que os animais encontravam-se cegos ou com a coluna vertebral lesionada para serem manuseadas com mais facilidade, quando turistas fizessem selfies com elas.

Como resultado da ação, cinco homens assinaram um simples termo circunstanciado de ocorrência por “utilização de animais silvestre para fins lucrativos e maus tratos”, e foram liberados. As iguanas apreendidas foram encaminhadas ao IBAMA, mas, pelas condições em que foram encontradas, há dúvidas sobre o sucesso da reintrodução no seu habitat.

Infelizmente, a falta de consciência ambiental faz com que a exploração de iguanas seja algo recorrente. Carente de pessoal e recursos, a Polícia Ambiental nem sempre consegue agir a tempo de evitar graves sequelas aos animais.

A informação, portanto, é a melhor estratégia para minimizar tais situações e manter os animais silvestres aonde eles devem estar, no seu habitat natural. Se, como acreditava Ghandi, “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”, a transmissão do conhecimento é a única forma de salvar nossa biodiversidade, pois conhecendo somos mais propensos a cuidar e preservar.

ANOTE AÍ:

 

O texto e as fotos desta matéria são de Paul Ojuara: Fotógrafo de vida selvagem. Biólogo. Mestre em Meio Ambiente. Instagram: ojuarapaul. Site: www.ojuarapaul.com

 

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