Tivemos, nessas últimas semanas, a grande emoção de conhecer o Projeto Tamar, que celebra, em 2017, 35 anos de sucesso na preservação de tartarugas-marinhas, de tubarões e de outras espécies da vida marinha no litoral brasileiro.

O trabalho do Tamar começou com a proteção das tartarugas-marinhas. Com o tempo, porém, a equipe originária do projeto observou que uma das chaves para o sucesso de sua missão seria o apoio ao desenvolvimento das comunidades costeiras, oferecendo-lhes alternativas de ocupação e renda que não fosse a caça das tartarugas-marinhas. Hoje, o envolvimento comunitário é um dos pilares que sustentam o projeto. Os antigos caçadores de tartarugas, antes conhecidos como “tartarugueiros”, se transformaram em verdadeiros protetores da natureza.

Ao longo de décadas, as atividades do Projeto Tamar foram organizadas em três linhas de ação: 1) Conservação e Pesquisa; 2) Educação Ambiental; e, 3) Desenvolvimento Local Sustentável, onde a principal ferramenta é a criatividade na busca e aplicação de técnicas pioneiras de conservação e desenvolvimento comunitário, adequadas às realidades de cada uma das regiões trabalhadas.

Essas atividades envolvem atualmente cerca de mil e duzentas pessoas, a maioria moradores das comunidades, essenciais para a proteção das tartarugas marinhas, pois melhoram as condições do seu habitat e diminuem a pressão humana sobre os ecossistemas e as espécies.

SOBRE O PROJETO TAMAR

O nome Tamar surgiu da combinação das sílabas iniciais das palavras tartaruga marinha, abreviação que se tornou necessária, na prática, por conta do espaço restrito para as inscrições nos tubos de PVC utilizados na identificação da presença de tartarugas na praia, da Praia de Itapuã até a Praia do Forte, área central das ações de proteção da espécie.

Desde então, a expressão Tamar passou a designar o Programa Nacional de Conservação de Tartarugas Marinhas, executado por meio de uma  cooperação entre o Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas – Centro Tamar, vinculado à Diretoria de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade-ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente, e a Fundação Pró-Tamar, instituição não-governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1988 e considerada de Utilidade Pública Federal desde 1996.

Criado em 1980, o Projeto Tamar-ICMBio é hoje reconhecido internacionalmente como uma das mais bem-sucedidas experiências de conservação marinha e serve de modelo para outros países, sobretudo porque envolve as comunidades costeiras diretamente em seu trabalho socioambiental.

SOBRE AS TARTARUGAS-MARINHAS

Embora o Projeto Tamar cuide também da proteção de tubarões e outras espécies marinhas, seu principal foco de conservação continua sendo as tartarugas-marinhas. Mesmo contando hoje com uma população pequena, elas representam a resistência e a perpetuação da vida ao longo de mais de 100 milhões de anos.

Entretanto, é frágil o equilíbrio da espécie. De cada 1.000 filhotes, somente 1 ou 2 chegam à maturidade por causa da ação de predadores, entre eles, o ser humano. As tartarugas atingem a maturidade sexual entre 20 e 30 anos. As fêmeas voltam à mesma praia onde nasceram para fazer a desova. O sexo dos filhotes é determinado pela temperatura da areia onde os ovos são incubados. Praias com areia mais quente geram mais fêmeas, enquanto as mais frias, mais machos.

Durante sua longa existência – elas chegam a viver 200 anos –  cada tartaruga-marinha leva e traz toneladas de nutrientes e energia vital à sobrevivência de tantas ou
tras formas de vida. Das tartarugas marinhas depende a existência de uma infinidade de peixes, crustáceos, moluscos, esponjas, medusas.

Para seguir sobrevivendo, entretanto, as tartarugas-marinhas dependem das formações de mangues, bancos de areia, de gramas marinhas e de algas, de corais e recifes, de ilhotas e formações geológicas. Portanto, proteger as tartarugas-marinhas significa proteger e preservar a vida marinha e o ecossistema onde ela se desenvolve. Com isso, estaremos garantindo, também, a sobrevivência do planeta e da humanidade.

CENTRO DE VISITAÇÃO DO TAMAR NA PRAIA DO FORTE

Localizado na Praia do Forte, em Arembepe, a apenas 60 Km de Salvador, em uma área de 10 mil metros, com tanques e aquários, com mais de 600 mil litros de água salgada, o Centro de Visitação do Tamar abriga um número expressivo de exemplares da fauna marinha da região.

Quatro das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, em diferentes estágios do ciclo de vida, são encontradas no Centro de Visitação do Projeto Tamar.

Em nossa visita, tivemos o privilégio de conversar com Eduardo Saliês, biólogo e coordenador do Centro de Visitação, e, na Praia do Forte, com Frederico Tognin, também biólogo e coordenador técnico do projeto, e com o oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Projeto Tamar, e um de seus fundadores.

Depois dessa jornada, podemos dizer, sem sombra de dúvida, que conhecer o Projeto Tamar é uma experiência única, fantástica, maravilhosa. Em nossas mentes ficará sempre a inesquecível imagem  da soltura para o mar  dos filhotes de tartarugas-marinhas na praia de  Arembepe. Vale muito a pena conhecer o Projeto Tamar!

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