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Que lindo e saudável observar os avanços demonstrados pela retomada das culturas indígenas dos diversos, ricos e maravilhosos povos indígenas do Estado do Acre, do Sudoeste do Amazonas, do Noroeste de Rondônia e, porque não dizer, de todo Brasil!

Me lembro muito bem da voz sufocada, da identidade ocultada, da falta de liberdade com que esses povos viviam no tempo do “Cativeiro” da época dos antigos patrões. Esse tempo passou, rompemos com ele, graças ao criador e hoje podemos ver com luta, mas com alegrias.

Viver com a maior alegria: Viva as culturas indígenas, viva os artistas indígenas, os avanços culturais, a preservação do meio ambiente e a vida com mais dignidade!

Uma breve memória da história indígena e dos seringais no Acre

Antes da chegada de qualquer “branco” na região onde atualmente situa-se o Estado do Acre, aquela terra era o habitat de muitos povos indígenas com suas muitas culturas que, seguindo a história oral das etnias sobreviventes, dão conta de que houve varias tragédias, grandes genocídios de populações indígenas praticados pelas correrias organizadas pelos coronéis de barranco, que iam chegando, dividindo entre eles próprios as regiões de abrangência de seringueiras, formando colocações como unidades de produção e dessa forma aqueles coronéis se apresentavam enquanto donos dos seringais.

Muitas vezes os tais seringais e colocações se superpunham aos territórios de indígenas isolados denominados à época de índios brabos, ou selvagens. Quando os índios se tornavam um problema para os seringueiros, isso era ruim para uma boa produção de borracha.

Aí os seringalistas organizavam suas turmas de homens armados de Rifle 44 Papo Amarelo, e esses grupos por sua vez tinham como chefe de “correria” pessoas como Massimiãno da Fonseca, Dão Eloi e Dão Abudy, que convidavam e levavam com eles guerreiros e índios de outras tribos do Peru, para o uso de bordunas, arco e flecha e da Macãna, que é uma borduna de três quinas.

Esses grupos também podiam pegar e amarrar índias e índios mais jovens e entregá-los nos barracões, para serem vendidos aos seringueiros por borracha. Eu conheci o Muruzinho, ele participava das correrias antes do meu nascimento e me contava todas essas histórias das correrias no decorrer de meu crescimento. Ele morou comigo por 30 anos e me dizia que muitos grupos indígenas foram dizimados durante as lutas na floresta.

Pedro Biló, por exemplo, vivendo sobre o reflexo deixado pelas correrias também foi tido como um devastador de índios isolados. Ele se queixava dos índios terem matado seus pais no decorrer de um ataque e se alvorou a virar também um dos grandes matadores de índios na floresta do Acre.

Antônio Luiz Batista de Macêdo, nascido seringueiro nas florestas do Alto Juruá, formou-se pela vida como sertanista e indigenista, e é hoje uma das grandes lideranças acreanas na luta em defesa da floresta amazônica e dos povos que nela vivem.

Acre índios dança
Foto: alignnone/agencia.acre.gov.br

ANOTE AÍ:

Os Povos Indígenas do Acre
Os povos indígenas representam a diversidade e a riqueza da cultura amazônica tradicional. Suas práticas culturais incluem um conhecimento complexo e detalhado da diversidade biológica amazônica, como atestam o uso tradicional da “ayahuasca”, da vacina do sapo “kampô” e muitas outras.
A população indígena do Acre é bastante diversificada e composta por etnias do tronco lingüístico Aruak, tradicional da região amazônica, e do tronco lingüístico Pano, originário da região andina. Estes últimos migraram para a bacia amazônica após sucessivos confrontos com os invasores espanhóis que invadiam suas terras a partir do Oceano Pacífico.

Essas etnias representadas pelas culturas dos povos Kaxinawá, Yawanawá, Katukina, Jaminawa, Kulina, Ashaninka, Nukini, Poyanawa, Manchineri, Arara, Apurinã, Kaxarari, índios isolados e outros que vivem e transitam pela região de fronteira com o Peru, representam aproximadamente 14.451 indivíduos. Estes vivem em cerca de 146 aldeias espalhadas por diversas Terras Indígenas. Estas terras, com uma extensão de 2.234.265 hectares, cobrem 13,61% do território acreano.
Fonte: Governo do Estado do Acre: www.ac.gov.br

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