Brasília tem belas quadras arborizadas. Nelas vive uma infinidade de cigarras, inseto pequeno, de até 6 centímetros de comprimento. No Cerrado, no Pantanal, em todos os biomas brasileiros, vivem milhões de estridentes cigarras.

Estridentes por pouco tempo, dentro de sua relativamente longa (para o mundo dos insetos) existência, que vai de 2 a 17 anos.  A maior parte do tempo, as cigarras ficam inertes, em forma de letárgicas ninfas, acopladas às raízes das árvores, alimentando-se de seiva, integradas ao ambiente. Dormem, por assim dizer, grande parte do ano, todos os anos.

Com as primeiras chuvas, brotam da terra em forma de insetos cantadores (só os machos cantam), em corais contínuos, uníssonos, sincronizados, de 120 decibéis por indivíduo. Assim permanecem, nessa desandada cantoria sem-fim, nos troncos das árvores, pelas duas ínfimas semanas em que vivem sob a forma de inseto alado, no planeta Terra.

Assim atraem suas fêmeas, acasalam, asseguram a sobrevivência da espécie. Assim, atormentam os tímpanos humanos. Assim, ainda que somente por duas semanas, garantem alimento farto para as aves do Cerrado, que não matam as cigarras, apenas comem as cascas que elas vão deixando para trás.

Assim, desse jeito estranho, as cigarras ajudam a conservar a vida na Terra.

Nina Simões
Artista, Musicista

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Eduardo Pereira

Produtor Cultural

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