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Estamos em recessão, taoquei?

Estamos em recessão, taoquei?

Bolsonaro põe o Brasil na pior recessão em 13 anos

A recessão na economia brasileira já é uma realidade e pode ser comprovada com a desaceleração de 0,13% da inflação no mês de maio. A ela também se soma outros indicativos negativos obtidos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O pessimismo dos agentes macroeconômicos é corroborado ainda pela queda no nível da produção (medida pelo produto interno bruto), aumento do desemprego, queda na renda familiar, redução da taxa de lucro das empresas, aumento do número de falências e concordatas, aumento da capacidade ociosa e queda do nível de investimento dos setores públicos e privados.
Por outro lado, na recessão, cresce o aumento dos lucros dos bancos com a concomitante taxa de juro alto.
A velha mídia comemora o “menor nível para o mês em 13 anos” da inflação para um mês de maio. O diabo é que ela esconde do mais desavisado que alguns preços caem e, consequentemente, a inflação porque não há consumo. Aliás, para ilustrar a discussão, na Antártica também não existe inflação por um único motivo: os pinguins não consomem como o povo consome nestas plagas.
Para piorar o cenário econômico nacional, governo-mídia-bancos fizeram uma diabólica aliança pela reforma da previdência com o intuito de descapitalizar os trabalhadores e capitalizar o sistema financeiro. Ou seja, haverá mais concentração de renda nas mãos de meia dúzia de banqueiros.
Resumo da ópera: Bolsonaro é uma tragédia para economia cujo efeito nefasto os jornalões estão retardando tal qual uma bomba.
Fonte: Blog do Esmael

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

 

 

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