Infectologista questiona volta às aulas no DF

Bernardo Wittlin afirma que o retorno de 100% das atividades presenciais ainda é um risco neste momento pandêmico

Por Roberta Quintino/Brasil de Fato

No Distrito Federal, o retorno integral das aulas presenciais ainda é tema divergente entre o governo da cidade e profissionais da educação. O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) questiona a decisão do governador Ibaneis Rocha (MDB), que determinou a volta de 100% das atividades escolares com pouco mais de 30 dias para o fim do ano letivo.
Em nota, a entidade sindical destaca preocupação com a manutenção das medidas de segurança sanitária no retorno das aulas na modalidade presencial. Em assembleia virtual realizada na quinta-feira (11), os professores decidiram decretar estado permanente de mobilização, tendo como principal pauta a defesa da vida.

Infectologista defende cautela 

O infectologista Bernardo Wittlin ressalta que a situação epidemiológica atual do país é positiva, com queda sustentada de casos, hospitalizações e mortes de um lado, e crescente cobertura vacinal de outro. No entanto, ele alerta que “há ainda o risco de que, num cenário de flexibilizações das restrições sanitárias e sociais, haja reversão das curvas atuais”.
Para Wittlin, o risco pode ser maior quando as flexibilizações são bruscas, “o que poderia redundar em repiques de casos em determinadas localidades. Isso vale para as comunidades escolares por ocasião do retorno às aulas presencias”, diz. “Devemos ressaltar que as crianças abaixo de 12 anos ainda não estão contempladas pelo plano de vacinação e que a cobertura entre adolescentes ainda é limitada, o que torna o espaço de socialização das escolas mais vulnerável”.

De acordo com o infectologista, enquanto a vacinação não alcançar a maior parte das crianças e adolescentes, deve-se seguir com formas de restrição e vigilância dentro do ambiente escolar. “Isso inclui menor número de alunos por sala, distanciamento físico, formato híbrido de ensino, entre outros. Ainda experimentamos um momento epidemiológico delicado, em busca de um equilíbrio igualmente delicado” acentua.

Secretaria de Educação

O Sinpro-DF informou que em reunião com representantes da Secretaria de Educação, “frente a uma postura intransigente do Governo do Distrito Federal”, conseguiu garantir que as salas de aula comportem apenas o número limite de estudantes, considerando o distanciamento de 1 metro entre eles, o que reduziria os riscos de contaminação da covid-19.

Wittlin salienta que há inegáveis prejuízos pedagógicos, psicológicos e sociais relacionados ao afastamento prolongado das crianças das escolas, por outro lado, há os impactos sobre a saúde decorrentes da pandemia. Contudo, se as instituições “não puderem garantir salas com números reduzidos de alunos e distanciamento, o retorno de aulas na modalidade 100% presencial traz um risco considerável” conclui o infectologista.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal comunicou em 4 de novembro, um dia após a retomada das aulas, que estava resolvendo questões de superlotação nas salas de aula e o excesso de matrículas em algumas escolas.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

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