As cactáceas são apreciadas no mundo inteiro por sua beleza característica, muitas vezes associada às paisagens de regiões áridas, semiáridas e subúmidas.

Além disso, possuem ampla utilização para fins ornamentais, medicinais, ecológicos e alimentares, tanto para animais domésticos e silvestres, como para os seres humanos.

Para se ter uma ideia da diversidade de espécies de cactos no Brasil, de acordo com o site Flora do Brasil do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, são conhecidas 263 espécies de cactos, das quais 188 são endêmicas do país. Os estados brasileiros que mais se destacam em diversidade são Minas Gerais e Bahia, com 107 e 101 espécies, respectivamente.

Com relação ao bioma Caatinga, já foram registradas 94 espécies pertencentes à família Cactaceae, dentre as quais está presente Tacinga inamoena (K. Schum) N.P. Taylor & Stuppy, também conhecida popularmente como quipá.

O quipá é um cacto endêmico do domínio fitogeográfico Caatinga, sendo encontrado distribuído por toda a região semiárida do Brasil. Suas flores variam do laranja intenso ao vermelho, e seus frutos apresentam-se na cor amarela ou laranja fosco, geralmente com quatro centímetros de diâmetro.

Existem relatos da utilização desses frutos e da planta na alimentação humana e de animais domésticos como caprinos, ovinos e bovinos, mas apenas em situações extremas de falta de alimentos.

Mesmo com estudos científicos recentes que demonstraram o elevado valor nutricional desses frutos, sua utilização ainda se encontra limitada devido à presença de gloquídeos, que é um termo técnico da botânica para denominar um tipo de estrutura morfológica dos cactos que agem como espinho, são muito fáceis de penetrarem na pele e difíceis de sair, causando na maioria das vezes fortes irritações.

Por outro lado, diversos animais da Caatinga são especialistas na utilização eficiente dos frutos do quipá, que são abundantes mesmo em anos de pouca chuva, servindo como base alimentar para animais como o macaco-prego (Sapajus libidinosus) e o casaca-de-couro (Pseudoseisura cristata).

ANOTE AÍ:

Eduardo Henrique de Sá Júnior – Estudante de Agronomia na UFRPE, administrador da página Viva Caatinga, fotógrafo da natureza.

Fotos internas: Eduardo Henrique

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