Água e Cerrado: um relacionamento que precisa continuar

Por: Maria do Socorro Teixeira Lima, dona Socorro, coordenadora geral da  Rede Cerrado

No Dia Mundial da Água, 22 de março, muito se fala sobre a importância dessa substância para todos os seres vivos que habitam o planeta Terra. Não se tem mais dúvidas de que água é vida. Um ser humano é capaz de passar semanas sem comer, mas passar alguns dias sem beber água pode ser fatal. Plantações inteiras são perdidas por falta d’água. O ar seca. O preço da comida sobe. É, não dá para imaginar a nossa existência sem a existência da água. O problema é que esse recurso tão vital para a nossa sobrevivência está ameaçado. Campanhas de economia, de conscientização para a não poluição dos nossos rios são fundamentais, todavia, muito mais que isso, precisamos garantir que as nossas águas continuem brotando nos rincões do Brasil.É aí que entra o Cerrado.

É ele quem guarda muitas nascentes responsáveis pelo abastecimento de muito estados brasileiros. Não é por acaso que o Cerrado é conhecido como o “berço” e a “caixa dágua” do Brasil. Ele abriga oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do país: Amazônica, Araguaia/Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste e Paraná/Paraguai. Além disso, é no Cerrado onde estão localizados três dos principais aquíferos brasileiros: Bambuí, Urucuia e Guarani.

A contribuição hídrica do Cerrado para a vazão da bacia do Paraná, por exemplo, chega a 50%; à bacia do Tocantins a 62%; e a 94% da bacia do São Francisco. O bioma Pantanal é totalmente dependente das águas do Cerrado e cerca de 50% da energia consumida no Brasil é gerada com as águas do Bioma. Além disso, a cobertura vegetal do Cerrado é fundamental para garantir os fluxos hídricos entre as diversas regiões do Brasil. Ele garante o transporte de umidade e vapor d’água da bacia amazônica para as regiões Sul e Sudeste do país, permitindo a regularidade do regime de chuvas.

Ou seja, apesar de ser um Bioma pouco reconhecido nacionalmente, ele, definitivamente, não pode ser ignorado. Durante anos construiu-se a ideia de que o Cerrado era um lugar feio, com pouca vida, muito por conta das suas características de Savana, com árvores pequenas e retorcidas. E essa ideia foi vendida propositalmente. Considerada a última fronteira agrícola do país, o Cerrado, há décadas, é alvo do avanço indiscriminado de grandes monoculturas. E isso fez com que 50% da sua vegetação nativa fosse devastada. Ou seja, metade do Cerrado não existe mais, de acordo com dados do próprio Ministério do Meio Ambiente. Esse desmonte contra o Cerrado traz prejuízos à toda população, pois reflete diretamente nos regimes das chuvas que vêm ou em grande quantidade ou em escassez. Além disso, destrói nascentes importantes e ainda degrada o meio ambiente.

A importância do Cerrado vai além daquilo que nossos olhos podem ver. São as extensas raízes dessas pequenas árvores as responsáveis por captar as águas mais profundas. Isso sem falar da grande sociobiodiversidade presente no Bioma que concentra 5% da biodiversidade mundial e 30% nacional e, ainda, é morada de centenas de milhares de povos e comunidades tradicionais que trabalham em defesa do Cerrado, dos seus modos de vida e, por meio de práticas sustentáveis, contribuem ativamente para a conversação do Bioma.

É por essas e outras tantas razões que a devastação contra o Cerrado precisa parar! É urgente e necessária que medidas sejam tomadas, uma vez que menos de 3% do Cerrado está efetivamente protegido. Neste sentido, diversas organizações, entre elas a Rede Cerrado, promovem a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, para que assim como a Amazônia e outros biomas brasileiros, o Cerrado também seja considerado Patrimônio Nacional e tenha uma maior proteção garantida por lei.

ANOTE: 

“No dia em que não houver lugar no mundo para o índio, não haverá lugar para ninguém.” 

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