Desde que a Assembleia Mundial de Saúde institucionalizou, em 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas, o 1º de Dezembro como o “Dia Mundial de Combate à Aids”, no mundo inteiro acontecem ações para marcar a data e dar visibilidade a trabalhos que são realizados no combate à doença.

Adotado no Brasil em 1988, por intermédio de uma portaria do Ministério da Saúde, o 1º de Dezembro reúne ativistas, gestores, jornalistas, pessoas que vivem com o vírus e que chamam atenção para as dificuldades que nosso país tem tido para lidar melhor com a questão. Nos dias de hoje continua sendo complexo trabalhar e enfrentar uma doença que traz ainda em seu entorno, 33 anos depois do diagnóstico do primeiro caso, muito estigma e discriminação.

Os primeiros casos de Aids registrados entre a comunidade gay de Nova Iorque e de São Francisco, nos Estados Unidos, vieram logo à tona pela rapidez com que as pessoas morriam devido aos efeitos da doença. Também rapidamente o vírus foi se espalhando e, na mesma intensidade, o preconceito.

Na mesma medida, pelo sofrimento e complexidade em se lidar com um vírus que muda e acarreta distúrbios sérios no sistema imunológico e na saúde das pessoas infectadas, as indagações sobre o que e como fazer se multiplicaram.

Em determinado momento da construção de uma resposta, enquanto o mundo decidia se deveria “tratar ou prevenir” o HIV, o Brasil, por pressão e lucidez do movimento social, de médicos e pesquisadores, com o acolhimento de gestores públicos conscientes, fez as duas coisas: tratou e preveniu o vírus causador da Aids.

Assim, a partir de 1996, o Estado passou a distribuir gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS), os antirretrovirais, medicamentos que combatem os efeitos do vírus. Iniciaram-se também trabalhos de distribuição em massa de camisinhas masculinas, depois femininas, na rede pública.
Além disso, passou-se a adotar um sistema de troca de seringas, diminuindo o crescimento de infecções entre as pessoas usuárias de drogas injetáveis. Por força de lei, também os convênios médicos e os seguros-saúde se viram obrigados a atender as doenças preexistentes e consequentemente as pessoas que haviam contraído o vírus. Somaram-se as campanhas publicitárias veiculadas no rádio e na televisão, chamando a atenção para o tema.

Com essas estratégias, o Brasil, por muitos anos, foi considerado vanguarda no combate à aids. Construiu respostas, colheu bons frutos. As especificidades da doença e o fato de ela estar diretamente ligada à mudança de comportamento de todos nós e das novas gerações requerem, com muita urgência, que nosso país volte a realizar ações proativas e a costurar respostas que ajudem a diminuir, por exemplo, o crescimento do número de casos entre adolescentes e jovens gays que estão se infectando precocemente.

Quando falamos sobre aids, falamos também ainda de dificuldades. Falamos de efeitos colaterais que acontecem com o tempo. Falamos da utilização de novas ferramentas que a comunicação nos disponibiliza para tentarmos mostrar para esta moçada sua situação de fragilidade e de vulnerabilidade. Falamos da necessidade de nos debruçarmos cotidianamente na busca de soluções para barrarmos o crescimento de um vírus que segue sendo um grande desafio para todos nós. Um apelo às nossas ações e às nossas vozes!

[box title=”dados recentes” icon=”info”]
  • No Brasil ocorrem 30 mil novas infecções pelo HIV e 12 mil mortes por ano. Entre 1980 e 2012, foram registrados 656.701 casos.
  • 353 mil pessoas recebem mensalmente os antirretrovirais.150 mil vivem com o vírus e desconhecem seu estado sorológico.
  • Entre 2001 e 2011, a taxa de incidência caiu no Sudeste, de 22,9 para 21,0 casos por 100 mil habitantes. Nas outras regiões, cresceu: 27,1 para 30,9 no Sul; 9,1 para 20,8 no Norte; 14,3 para 17,5 no Centro-Oeste; e 7,5 para 13,9 no Nordeste.
  • Em 1989, a razão de sexos era de cerca de 6 casos entre homens para cada 1 caso entre mulheres. Em 2011, último dado disponível, chegou a 1,7 caso em homens para cada 1 em mulheres.
  • Em ambos os casos, a aids é mais incidente na faixa etária de 25 a 49 anos de idade. A única faixa etária em que o número de casos é maior entre as mulheres é em jovens de 13 a 19 anos.
  • Quanto à forma de transmissão, entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical.[/box]

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Roseli Tardelli

Jornalista, Presidente da Agência Aids no Brasil

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