Neste 22 de fevereiro a Anistia Internacional lança, no Cine Odeon, na Cinelândia, Rio de Janeiro, o relatório “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo 2016-2017”,  com um balanço crítico da situação dos direitos humanos em 2016, e previsão de tempos também difíceis para 2017 e para os anos seguintes. 

O lançamento começará com uma roda de conversa  com mulheres negras sobre violência, justiça e direitos humanos nas Américas  sob a liderança de Jurema Werneck,  diretoria executiva da Anistia Internacional Brasil . Participam da conversa  Djamila Ribeiro, mestre em Filosofia Política pela Unifesp, Marion Gray-Hopkins, ativista e mãe de Gary Hopkins, Jr (19), morto pela polícia nos EUA, Shackelia Jackson, ativista e irmã de Nakiea Jackson (27), morto pela polícia na Jamaica, e Vilma Reis, socióloga e ouvidora geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia. A mediação será feita por   Sueli Carneiro, do conselho consultivo da Anistia Internacional Brasil, doutora em Educação pela USP e diretora da ONG Geledés.  

O relatório faz  um   balanço dos direitos humanos em 159 países, dentre os quais nos 36 com um histórico de violação de direitos humanos, sobretudo pelo reenvio de refugiados aos seus países de origem onde, segundo a Anistia Internacional, suas vidas correm riscos. De acordo com o relatório, em 2016 predominou a retórica individualista, isolacionista e desumana do “Nós versus Eles”. Em diversos países, como nos Estados Unidos, para chegar ao poder, líderes políticos adotaram políticas conservadoras de desrespeito aos direitos humanos, diz o relatório.

No Brasil, segundo a Anistia Internacional um dos grandes motores da violação de direitos humanos concentra-se na  polícia brasileira, que faz uso abusivo do seu poder de força, onde são cada vez mais altos os índices de homicídio sem punição, como o tiro que matou o líder indígena Oziel, e que é extremamente violento especial e gritantemente com mulheres e jovens negros. Segundo o relatório, o Brasil viola direitos humanos e não se compromete com os direitos básicos da cidadania brasileira. O governo brasileiro não respondeu, ainda, sobre os dados apresentados pela Anistia Internacional em seu relatório.

O relatório prevê anos difíceis pela frente para os povos do Brasil e do mundo,  e faz um chamado:  “2017 precisa de heróis dos direitos humanos”, uma vez que o alarmismo divisório tornou-se uma força perigosa ao redor do mundo, com líderes como o norte-americano Donald Trump, o húngaro Viktor Orban, o turco Recep Tyyip Erdogan, o filipino Rodrigo Duterte impondo uma agenda mundial antidireitos humanos, “uma agenda que fere, transforma em bodes expiatórios e desumaniza grupos inteiros de pessoas,” conforme expressado por Salil Shetty,  secretário-geral da Anistia Internacional.

Shetty chama a atenção ainda para o fato de que “as primeiras vítimas são os refugiados,”  mas que pode expandir para violar os direitos de outros grupos de minorias, já que cada vez mais se ampliam os discursos “de divisão, de medo, que transformam em armas de arremesso as respostas aos receios legítimos das pessoas em matéria de segurança e prosperidade econômica.”, que vai consolidando a retórica cada vez mais forte dos “Nós contra Eles”.

Shetty alerta, ainda, para essa “política de demonização” de seres humanos contra seres humanos que transforma as pessoas mais excluídas em pessoas “menos humanas”, instilando, assim, um “discurso cínico de culpa, ódio, e medo” em nível tão exacerbado que não se vida desde os anos 1930, quando Hitler chegou ao poder,  como diz Shetty: “A realidade é que começamos o ano de 2017 num mundo profundamente instável, cheio de trepidação e incerteza em relação ao futuro.”

Já em sua introdução, o relatório adverte: “Todas as regiões do mundo viram provas de que onde as estruturas formais de poder são usadas para reprimir, as pessoas encontram formas de se levantar e serem ouvidas [portanto] ninguém pode assumir a responsabilidade pelo mundo todo, mas toda a gente pode mudar seu próprio mundo, [já que] o instinto das pessoas para lutar pela liberdade e pela justiça não desaparecem nunca”.  Ou seja, como já pregava outro revolucionário, em outros tempos difíceis, é preciso ” seguir sonhando e seguir lutando”.

 

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Zezé Weiss

Jornalista Socioambiental

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