Infelizmente, o Brasil é conhecido por estar sempre atrasado na adoção de inovações tecnológicas. Por exemplo, conforme tabela dos Correios, na importação simplificada de mercadorias, pagamos até 60% do valor do produto original. E isso só vale para mercadorias de até $ 500,00. Acima desse valor, o produto precisa ser declarado, o que aumenta a burocracia e a dor de cabeça.

Poderia-se tentar justificar essas medidas se o país tivesse uma grande indústria de tecnologia, mas com mortalidade de até 42% de pequenos negócios de até dois anos (segundo pesquisa de 2013 do SEBRAE), certamente não é o caso.

A atração que o Brasil sente pela burocracia também se mostra no nosso comércio digital. Neste ano foram alteradas as regras do ICMS, inibindo a criação e operação de novas e pequenas empresas do setor. Quem não pôde contratar mais pessoal para lidar com os sistemas de tributação diferenciado quebrou. Foi só quando o governo concedeu uma regra por liminar pelo Simples que algumas dessas empresas puderam escapar do inferno tributário. Mas até quando?

A aversão às inovações também se reflete na total miopia em perceber o impacto da Internet no Brasil: em alguns países desenvolvidos, ter Banda Larga é considerado um direito fundamental. Obviamente, não se espera que um país que tem apenas 52% das casas cobertas com saneamento básico tenha Banda Larga para todos, mas o Brasil não pode ir na contramão do mundo tentando limitar a Banda Larga e destruindo a indústria cultural que surge com a Internet e o YouTube.

Em princípio, restringir a Banda Larga poderia trazer mais lucro às empresas provedoras de Internet, mas pensar só no lucro que poderia se obter com os aumentos de assinaturas ameaçaria uma indústria muito maior e mais lucrativa que, segundo o site Conferência Digital movimenta até 144 bilhões de reais por ano.

Qual brasileiro iria se aventurar a continuar consumindo e criando novas empresas de alta tecnologia se assistir duas horas de Netflix em alta qualidade (HD), por exemplo, consome 2,3 gigabytes por hora, ou se bastam 5 horas por mês em uma franquia de 100 GB e você consumirá cerca de 11% da franquia? Transferir um jogo de 30 GB para o computador? Nem pensar.

Para que o Brasil não caia na irrelevância internacional, nem vá na contramão do mundo, ficando de fora de uma indústria que cresce cada vez mais, vamos precisar mudar, desburocratizar as coisas, reduzir impostos ao nosso padrão de vida. Nesse contexto, uma Internet de qualidade é apenas um pequeno passo em um oceano de grandes e pequenas coisas que precisam ser feitas.

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Carlos Souza

Tradutor e comunicador graduado em comunicação social.

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