“É uma discussão entre técnicos e urbanistas. Uns entendem que a obra agrediria a parte urbanística da cidade. Eu sempre tenho a humildade suficiente para não me colocar como dono da verdade. Quero ouvir todos. Se entender que os que levantaram a discussão têm razão partirei para outro projeto”.

Prefeito de Goiânia, Iris Rezende (2008)

Falso! O projeto foi executado, sem discussão, sem nada! Não apenas o viaduto, mas uma trincheira também foi implantada no coração da cidade, sem dó nem piedade, sob foguetórios e inflamados discursos políticos que defendiam a chegada da “modernidade” na cidade.

Enfim, diziam, o progresso metropolitano chegava a Goiânia.

Sabem os governantes de todas as cidades brasileiras que o viaduto é a possibilidade técnica que a engenharia civil inventou para permitir aos condutores de automóveis chegarem mais rápido ao próximo congestionamento.

Não levam nada a lugar algum. Apenas uma festejada e temporária ilusão que enche de alegria motoristas apressados e empreiteiras, porque consome vultosos recursos, ao fim destinados não somente às obras licitadas, como se sabe.

Tudo dominado a premiar o modal que anualmente deforma o conceito de cidade, e ao mesmo tempo atormenta 50 mil famílias brasileiras enlutadas em razão de uma violência crescente ainda mal avaliada pelas mesmas ineptas autoridades governamentais.

É fato! O viaduto no meio do caminho não felicita a comunidade, mas alimenta ilusões de incautos motoristas que detém a errada sensação de que agora sua cidade é “moderna”.

Nesse contexto, como enseja a citação inicial, a falsa premissa do então prefeito de Goiânia nos exige a responsabilidade de insistir ao que sobra de bom senso aos gestores de cidades para que repensem a questão quando virem suas cidades infestadas de carros e motocicletas.

“É uma discussão entre técnicos e urbanistas. Uns entendem que a obra agrediria a parte urbanística da cidade. Eu sempre tenho a humildade suficiente para não me colocar como dono da verdade. Quero ouvir a todos. Se entender que os que levantaram a discussão têm razão partirei para outro projeto”. Prefeito de Goiânia, Iris Rezende (2008).

O momento nacional e a legislação vigente não recomendam tão somente o colhimento de dividendos eleitorais por grandes realizações físicas, mas ações responsáveis que resultem melhor qualidade de vida da nossa gente.

Fomentar cidades de concreto com foco no transporte individual, mais que envilecer urbanistas comprometidos com cidades humanizadas é optar por políticas que motivam o uso do automóvel acima de todas as demais possibilidades, contrariando a tendência urbanística contemporânea e a correta orientação de se priorizar o transporte público e a acessibilidade universal para equacionar as demandas de mobilidade das pessoas.

Esse o esforço que deve balizar os governantes de pensamento moderno, aí sim! Com o dinheiro dos viadutos tradicionalmente previstos no radar das administrações municipais diante dos caminhos possíveis, podem (por que não?) os prefeitos fazer diferente: criar estruturas eficientes de educação para a mobilidade segura.

Redirecionar seus esforços e parcos recursos para a construção de cidades equipadas de ciclovias, ciclofaixas, transportes coletivos e calçadas públicas decentes por onde transitam pessoas, gente, por exemplo.

Inverter prioridades é atributo indispensável aos governantes de bom senso. É evitar o viaduto no caminho das pessoas para que se recupere a urbanidade possível, como que para garantir o lugar das pedras em seu devido e original lugar.

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Antenor Pinheiro

Jornalista, Coordenador da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) Regional Centro-Oeste.

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