Uma imensa mancha nas águas. Esse foi o ponto de partida para a criação do movimento Ocupe o Lago, voltado para a defesa do Lago Paranoá, patrimônio ecológico e cultural da população do Distrito Federal e de todo o povo brasileiro.

Com 48 quilômetros quadrados e com uma profundidade máxima de 38 metros, o Lago foi antes uma imensa planície que Luís Cruls considerou ideal para a navegação caso fosse construído. Foi Cruls quem definiu que o espelho d’água deveria ficar na cota mil acima do nível do mar, o que foi feito. Acertou o pesquisador, pois hoje o Distrito Federal possui a terceira maior frota náutica do país.

O jovem Tony Lopes estava entre aquelas pessoas que se espantaram. Do espanto à ação, foi um pulo. Imediatamente somou forças com o amigo Marcelo Ottoni e juntos mobilizaram, principalmente via redes sociais, uma grande força voluntária que resultou na primeira campanha do Movimento, em 22 de março de 2014, Dia Internacional da Água.

Os resultados daquela primeira ação organizada foram impactantes: do lago foram retiradas 22,5 toneladas de lixo, graças à ação coletiva de cerca de mais de mil voluntários e voluntárias.

Naquele dia, o movimento Ocupe o Lago também ofereceu à população atividades recreativas simultâneas em diversos pontos do Paranoá, como como aulas e oficinas de canoagem, natação, standup paddle, mergulho. O evento fechou com um lindo abraço aquático coletivo no meio do Lago, com mais de 110 praticantes de esportes aquáticos.

Desde então, o movimento coletivo Ocupe o Lago vem ganhando parcerias e apoios que vão desde membros da Administração de Brasília até representantes da organização internacional Sea Shepard, conhecido por suas ações radicais em defesa do meio ambiente. Na medida em que se ampliam as parcerias, as ações também vêm se expandindo. Mais informações sobre o Movimento e suas atividades podem ser encontradas em: www.facebook.com/ocupeolago!

Neste março de 2016, o Coletivo encontra-se em acelerada fase de preparação para as atividades do Dia Internacional das Águas (22). Segundo Tony Lopes, membro da coordenação, este ano serão ofertadas à população novas atividades, por exemplo, performances culturais, feira de trocas, práticas esportivas, e ainda ações de sensibilização ambiental.

Assim, os organizadores esperam conseguir uma grande participação de voluntários e voluntárias, um grande engajamento da sociedade e uma promoção efetiva    da valorização e do uso sustentável do Lago Paranoá e de sua bacia hidrográfica. Dentre outras bandeiras, o movimento Ocupe o Lago quer o fim do assoreamento do manancial, o uso democrático desse patrimônio e a garantia de acesso ao Lago para todas as pessoas de Brasília.

SOBRE O LAGO

O Lago Paranoá foi idealizado por Louis Ferdinand Cruls (Luís Cruls), engenheiro e astrônomo belga que comandou a Comissão Exploradora do Planalto Central, a chamada Missão Cruls, promovida pelo governo brasileiro no final do século 19, com o objetivo de estabelecer os limites geográficos da futura capital do País.

Com 48 quilômetros quadrados e com uma profundidade máxima de 38 metros, o Lago foi antes uma imensa planície que Luís Cruls considerou ideal para a navegação caso fosse construído. Acertou o pesquisador, pois hoje o Distrito Federal possui a terceira maior frota náutica do país.

Construído junto com Brasília durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, o Lago Paranoá tornou-se importante cartão postal da cidade e é muito querido pela população brasiliense.

Muita gente “ocupa o Lago”, principalmente nos finais de semana, para banhos e para a realização de atividades esportivas como Kayak e SUP (Stand Up Paddle). O local é ainda frequentado por pescadores da região.

O Lago Paranoá não somente tem papel fundamental para o bem-estar e o lazer de quem mora do DF, mas também cumpre fundamental função ecológica, aumentando o nível de umidade nas áreas próximas e protegendo os mananciais de água à sua volta.

Entretanto, como acontece com qualquer patrimônio público usado em grande escala pela população, surgem cada vez ameaças à integridade do Lago. Assim, aumentam as necessidades de se conscientizar o público sobre seu uso apropriado e sobre a importância de mantê-lo despoluído.

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Eduardo Pereira

Produtor Cultural

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