O  quadro de medalhas de ouro do Brasil nas Olimpíadas de 2016 quem abriu  foi  Rafaela Silva, 24 anos,  judoca negra, jovem da Cidade de Deus,  localizada na periferia no Rio de Janeiro, a cerca de 15 minutos do Parque Olímpico,  aquela mesma comunidade pobre que ficou conhecida pela violência mostrada no filme  “Cidade de Deus,” de Fernando Meireles.
Rafa é Ouro!
Contra vento e maré, Rafaela tornou-se campeã ao vencer nada mais nada menos do que a líder do ranking mundial, a mongol Sumiya Dorjsuren.   Uma vitória que orgulha o povo brasileiro  e pacifica o coração de Rafaela.  “Já passou, tem quatro anos. Eu só posso falar: o macaco que tinha que ficar na jaula em Londres hoje é campeão olímpico em casa. Hoje eu não sou a vergonha para a minha família”, declarou Rafaela logo após vencer a luta neste 8 de agosto.
 Rafaela se referia ao preconceito sofrido em Londres, em 2012, ao aplicar um golpe irregular no combate cotra a atleta húngara  Hedvig Karakas, que teve consequência sua exclusão da eliminação. À época, foi chamada de macaca e lhe foi dito que ela era a vergonha do Brasil e de sua família.  Pois não era, nunca foi  jamais será. Seu lugar será sempre no pódio, Rafaela, mulher negra do esporte, da luta e da favela.
 Rafa Ouro
Também no Brasil, ainda hoje,  depois de orgulhar a Nação Brasileira do Caburaí ao Chuí, Rafaela foi vítima nas redes sociais de ataques e preconceitos racistas.  O desabafo sereno, porém firme de Rafaela ao sair do tatame, rebate e refuta a confusão mental de parte desse nosso Brasil roto em pedaços,  que vomita ataques racistas, que vocifera intolerâncias, mesmo em momentos de celebração e de júbilo.
Temerário tempo esse em que vivemos, quando a simples foto de uma atleta campeã exercendo, em outro momento histórico, o  seu direito constitucional e cidadão de livre expressão, se torna  motivo de escárnio e xingamentos na internet.  Independente de qualquer escolha, inclusive de sua eventual opção político-partidária, Rafaela é, acima de tudo, nossa judoca campeã, nosso primeiro ouro nas Olimpíadas de 2016.
 Rafa Judo
Controvérsias à parte,  nossa negra heroína faz do esporte lição de vida para as gerações presentes e futuras. ” É muito bom para as crianças que estiverem agora assistindo o judô. Se eu pude ajudá-las com esse resultado. Mostrar que uma criança que começou no judô por brincadeira hoje é campeã mundial e campeã olímpica. É inexplicável. Se elas tiverem um sonho, têm que acreditar, porque ele pode se realizar, diz a judoca ouro do Brasil.
Guerreira Rafaela, você é um ser humano incrível, muito orgulho de você!

Rafa choro

 

 

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Zezé Weiss

Jornalista Socioambiental

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