Teleatendimento: Trabalho precário provoca adoecimento

O Brasil emprega 1,4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em teleatendimento. O significativo adoecimento dos e das profissionais do setor, cujo segmento cresce, segundo estimativa do Sindicato das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos (Sintelmark), a um índice de 11% ao ano, causa grande prejuízo para o país.

A cada ano, mais benefícios por acidente de trabalho são requeridos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), mais indenizações trabalhistas por acidentes laborais são concedidas pelo Poder Judiciário, compensação que, todavia, não saneia o fato de inúmeros trabalhadores jovens restarem incapacitados para o trabalho ou com dificuldade de reinserção no mercado após as lesões.

O estudo “Riscos Ocupacionais e Inviabilização do Adoecimento no Teleatendimento”, publicado por Vitor Araújo Filgueiras (CESIT/UNICAMP) e Renata Queiroz Dutra (UFBA), aponta como causas do adoecimento a precarização e a precariedade das condições de trabalho no setor, que vão desde a forma de contratação (predominantemente terceirizada) às condições de ergonomia, ritmo, pausas e pressões psicológicas.

Associa-se a esses elementos, ainda, a dificuldade de regulação do trabalho no setor, que se vincula às condutas institucionais lenientes com o patronato e aos conflitos interinstitucionais entre quem decide as políticas públicas para o mundo do trabalho no Brasil.

Em consequência, tem-se uma categoria altamente vulnerável do ponto de vista da saúde, com altos índices de adoecimento psíquico devido ao estresse, ao ritmo intenso do trabalho, ao tempo mínimo para pausas para uso dos sanitários, ao alto grau de vigilância dos supervisores e às reiteradas notícias de assédio moral.

Em virtude da reduzida duração dos contratos de trabalho e da omissão das empresas em notificar e reconhecer os casos de adoecimento, há uma significativa subnotificação do perecimento da saúde dos trabalhadores no setor, que dificulta a reivindicação de direitos para os trabalhadores.

A Fitratelp abraça a causa da saúde e da segurança do trabalho em teleatendimento, defendendo a adoção de medidas preventivas para o aperfeiçoamento da gestão do trabalho no setor, para que este se adeque à normatização vigente, notadamente à NR 17 do MTE, como assertivamente atuou no acompanhamento da Mesa Nacional de Teleatendimento havida no Ministério do Trabalho em 2015.

A defesa das normas já conquistadas pela categoria quanto à preservação da higidez das condições de trabalho, do ponto de vista físico e psicológico, passa pelo endurecimento da fiscalização do Estado em relação ao teleatendimento e também pela ampliação da consciência dos trabalhadores a respeito dos seus direitos no ambiente de trabalho, com fomento ao seu potencial reivindicativo.a2

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Renata Queiroz Dutra,
Professora.
Pesquisadora. Autora do livro – Do Outro da Linha
(Poder Judiciário, Regulação e Adoecimento dos Trabalhadores em Call Centers).

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