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Há, pelo mundo todo, uma escassez de doadores de órgãos. Somente nos Estados Unidos, mais de 120 mil  pessoas esperam  pela doação de órgãos, principalmente de rins, para salvar suas vidas. Segundo dados da National Kidney Foundation, a cada dia  13 pessoas morrem nos Estados Unidos na fila de espera por um  rim saudável. No Brasil, a situação não é diferente: as estatísticas indicam que, em junho de 2016,  mais de 42 mil pessoas estavam na fila para receber transplante de um órgão.

O POTENCIAL DAS IMPRESSÕES 3D PARA MITIGAR A DEMANDA DE ÓRGÃOS

Segundo o professor  de medicina molecular, Joel C. Glover, do Conselho Norueguês  de Biotecnologia, também diretor do Centro Norueguês para a Pesquisa de Células-Tronco, “a tecnologia de impressão 3D apresenta bastante potencial para possibilitar de ‘imprimir’ tecidos e órgãos para o uso clínico.”

Glover argumenta que uma impressora normal pode imprimir apenas numa superfície plana, em duas dimensões,  porém, mesmo sendo extremamente caras, é possível  retirar esta limitação de uma impressora, permitindo que reproduza desde um brinquedo até peças para construir uma máquina.

“Por exemplo, você poderá imprimir peças substitutivas para sua máquina de lavar”, diz Glover. “Algumas pessoas preveem que no futuro não haverá mais produtores de peças porque todos irão poder imprimir as mesmas nos seus domicílios.”, completa o cientista.

COMO FUNCIONA O PROCESSO DE IMPRESSÃO 3D

O  vídeo a seguir demonstra o processo de impressão 3D:

Para imprimir algo em três dimensões, uma impressora necessita apenas informação em três coordenadas e um insumo para criar o objeto. Hoje em dia, o principal insumo utilizado é o plástico, porém já está provado que uma impressora pode utilizar outros materiais.

Ao longo dos últimos humanos já foram criadas órgãos humanos como maxilares e quadris feitos por titânio.  E em fevereiro de 2016,  cientistas dos Estados Unidos anunciaram um avanço chocante: tiveram sucesso ao imprimir uma orelha humana utilizando insumos biológicos. Essa orelha foi depois inserida na epiderme de um rato de laboratório.  O órgão artificial sobreviveu por dois meses. (Foto: Nature / Wake Forest Institute for Regenerative Medicine).
COMO ISSO É POSSÍVEL?
Os pesquisadores criaram impressoras que puderam ser carregadas com uma solução maleável que continha células. Mas não provou ser fácil imprimir estruturas compostas por células que mantinham seu formato por muito tempo após a impressão. Desta forma, foi necessário usar matérias biocompatíveis, ou seja, materiais que possam ser preenchidas por células e que fornecem um ambiente que possibilita seu crescimento. Um exemplo de tal material se chama hidrogel.

O pesquisador Anthony Atala e sua equipe, do Wake Forest Institute for Regenerative Medicine na Carolina de Norte (Intituto Wake Forest de Medicina Regenerativa) foi quem conseguiu criar a orelha 3D da foto. “A orelha era composta por células de cartilagem e foi impressa com espaços para circulação sanguínea,” segundo Glover.

Para os pesquisadores, a pele humana é o órgão mais fácil de recriar, utilizando como insumo células epidemiais.  Essa pele impressa poderá ser transplantada para alguém que sofreu queimaduras graves. Isso já está sendo testado com humanos em diversos países.

Foto – Impressora 3D para uso médico. (Fonte: Envisiontec)
No entanto,  os órgãos mais em demanda, como coração, fígado e rins são mais difíceis de recriar com essa tecnologia por serem compostos por uma estrutura complexa que consiste em diversos tipos de células.
Até o momento, os pesquisadores têm conseguido imprimir apenas partes desses órgãos, que poderão ser utilizados para reparar parcialmente o corpo de um paciente. Usando células tronco de um fígado, por exemplo, cientistas já conseguiram emular algumas das funções do órgão.
Glover estima que o primeiro transplante de um órgão inteiro irá acontecer dentro dos próximos cinco a dez anos, apesar dos desafios. Ele acredita que o primeiro a ser transplantado será a bexiga, uma vez que bexigas urinárias são estruturas relativamente simples.
Fonte originária da matéria: Science Nordic
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