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A sociedade contemporânea, chamada sociedade do conhecimento e da educação, está criando, contraditoriamente, cada vez  mais incomunicação e solidão entre as pessoas.

A internet pode conectar-nos com milhões de pessoas precisarmos encontrar alguém. Pode-se comprar, pagar as contas, trabalhar, pedir comida, assistir um filme sem falar com ninguém. Para viajar, conhecer países, visitar pinacotecas não precisamos sair de casa. Tudo vem à nossa casa via online.

A relação com a realidade concreta, com seus cheiros, cores, frios, calores, pesos, resistências e contradições é mediada pela imagem virtual que é somente imagem. O pé não sente mais o macio da grama verde. A mão não pega mais um punhado de terra escura.

O mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, caracterizado pela encapsulamento sobre si mesmo e pela falta do toque, do tato e do contato humano.

Essa antirrealidade afeta a vida humana naquilo que possui de mais fundamental: o cuidado e a com-paixão. Mitos antigos e pensadores contemporâneos dos mais profundos nos ensinam que a essência humana não se encontra tanto inteligência, na liberdade, ou na criatividade, mas basicamente no cuidado.

O cuidado é, na verdade, o suporte real da criatividade, da liberdade, e da inteligência. No cuidado se encontra o “ethos” fundamental do humano. Quer dizer, no cuidado identificamos os princípios, os valores e as atitudes que fazem da vida um bem-viver e das ações um reto agir.

 

Leonardo Boff
Filósofo. Teólogo. Escritor. Excerto  do livro Saber Cuidar. 18ª Edição. Editora Vozes. 2012.

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