Cabresto

Jaime Sauthchuk 

As milícias bolsonaristas sabem manipular os cabrestos que colocam nos cidadãos e cidadanias comuns, que nas épocas de eleições voltam ao tempo dos coronéis e se submetem aos interesses dos mais fortes.
O voto eletrônico acabou com essa falcatrua e garante eleições limpas – por isso não servem ao atual presidente da República, que só tem alguma chance de se eleger se as milícias estiverem em ação, controlando a votação (recebendo a segunda via do voto).
O chefão fica desesperado, inventa delírios contra o voto eletrônico pra ver se consegue retroceder ao voto no papel. Espera contar com alguma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ou até mesmo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que criou, desenvolveu e pôs pra funcionar a urna eletrônica, razão de admiração dos países democráticos do mundo.
Ainda bem que esses tribunais seguem firmes na posição de que o voto eletrônico é o melhor pro Brasil.
Pois, pois… 
Publicado por Jaime Sautchuk (encantado em 14 de julho de 2021) em seu blog SertãoCerratense, em 12 de junho de 2021.
Voto impresso: o burro é você!
Voto impresso: o burro é você!

 
 
 
 


Jaime Sautchuk: A Vida foi Dez!

A palavra ágil e leve, mas precisa e aguda, foi sua marca. Assim foi também sua vida, um percurso irrequieto, intenso e de pleno sentido.
Por Maria Rosa, João Miguel e Carlos Emanuel
Jaime nasceu em Joaçaba, Santa Catarina, em 1953, filho de descendentes de imigrantes italianos, poloneses e ucranianos. Catarinense de nascimento, se tornou goiano de coração, acolhido com títulos e homenagens em três cidades de Goiás.
Coroinha quando criança, na adolescência escreveu para um jornal da escola religiosa, tomando gosto pela palavra, que se tornaria sua ferramenta de trabalho e sua arma de luta.
Após rápida passagem como bancário em Curitiba, mudou-se para Brasília, sonhando formar-se jornalista. Logo nos primeiros períodos de faculdade, conseguiu emprego no Diário de Brasília.
Aos 20 anos, casou-se e emigrou para Londres, num dos períodos mais duros da repressão, onde trabalhou na BBC.
De retorno ao país no final da década de 1970, passou por muitos veículos da imprensa escrita, como MovimentoOpiniãoFolha de São Paulo, Veja, O Globo, Jornal de Brasília. Afinal, e mais tarde, O Pasquim.
Realizou reportagens investigativas memoráveis, do universo político aos mais diversos rincões.
Dirigiu duas emissoras de rádio da RBS em Brasília, a Alvorada-AM e Atlântida-FM, onde tiveram espaço da música caipira ao nascente rock de Brasília, além de programas como Os Cobras da Notícia.
Integrou-se a diversos movimentos coletivos. Militou no PCdoB, participando do processo de redemocratização. Atuou no Sindicato dos Jornalistas. Foi um fiel corintiano e compôs o grupo que criou o grupo carnavalesco Pacotão.
No final da década de 1980, criou uma produtora de vídeo para apoiar a execução dos documentários que dirigiu, dentre eles: “Planaltina, a Via Sacra Nacional”, “A Marcha dos Sem Terra”, “Balbina, Destruição e Morte”, pelos quais recebeu diversos prêmios.
No final do século passado, idealizou e participou da implantação do FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que até hoje faz parte do calendário cultural da Cidade de Goiás (Goiás Velho).
Atuou por vários anos em organismos internacionais, como o Unicef, num programa de capacitação de radialistas sobre crianças e adolescentes, e no Conselho Mundial da Paz. Teve contribuição também como assessor no Governo do Distrito Federal, na Câmara dos Deputados (durante a Constituinte e a CPI CBF-Nike). Trabalhou também no Ministério do Esporte, durante a gestão do ministro Agnelo Queiroz, no governo Lula.
Sua obra literária é extensa, comportando obras de ficção, como “Mitaí”, e obras documentais, como “A Guerrilha do Araguaia”, “Albânia”, “A Luta Armada no Brasil”, “Os Descaminhos do Futebol” e, mais recentemente, biografias como a de “Cruls: Histórias e Andanças do Cientista Que Inspirou JK a Fazer Brasília”, e “O Causo eu Conto”, sobre o escritor goiano Bernardo Élis. Dedicou-se também à poesia, inclusive no formato de cartazes.
No início dos anos 1990, foi um dos pioneiros a investir seu patrimônio para criar no Cerrado de Cristalina, em Goiás, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Linda Serra dos Topázios – sua morada até o fim.
Com vocação científica e acadêmica, ali foram desenvolvidos desde cursos de educação ambiental até eventos de astronomia, passando pela pesquisa da biodiversidade do Cerrado, que originou o livro “Flores e Frutos do Cerrado”, guia de campo editado por ele, envolvendo cientistas, artistas e mestres locais. Tudo em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e outras instituições.
Nos últimos sete anos, foi responsável editorial e redator da revista e portal Xapuri, veículo independente dedicado à defesa do meio ambiente, dos direitos humanos e da democracia. Foi, também, articulista do Portal Vermelho e, mais recentemente, lançou seu próprio blog, SerTão Cerratense.
Forte em seus princípios e amplo em seus diálogos, transitou entre regueiros e comandantes do Exército, entre ruralistas e trabalhadores sem-terra.
Sua vida fluiu até o último minuto como corria sua pena – clara e precisa, qual uma flecha apontando para o valor atemporal do seu legado.
Filhos, foram três. Livros, escreveu dezesseis. Árvores, não só plantou como protegeu toda uma reserva.
Valeu demais da conta, Jaiminho. Pra você, a vida foi dez!

 Maria Rosa, João Miguel e Carlos Emanuel – filha e filhos de Jaime. Fotos: Acervo Família. 


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