Eleições 2022: o futuro do Brasil e da América Latina

As eleições de 2022 no Brasil representam não apenas uma decisão fundamental para o futuro do país, mas também do destino da América Latina, pelo menos em toda a primeira metade do século XXI.
Por Emir Sader/brasil247

O triunfo do golpe militar de 1964 apontou para o futuro do continente nas últimas décadas do século XX, com proliferação de ditaduras militares e derrotas de movimentos de esquerda, do qual o continente saiu, a duras penas, não sem deixar feridas, recentemente.

O golpe que derrubou a Dilma em 2016 rompeu com a democracia no Brasil, promoveu a pior catástrofe que o país já viveu e apontou, ao mesmo tempo, para vias similares – triunfante por um curto período na Bolívia, derrotada na Argentina.

O continente vive um período de transição, com governos de esquerda no México, na Argentina, na Bolívia, com processos abertos no Peru e no Chile, com perspectivas democráticas possíveis na Colômbia.

As eleições brasileiras definirão a que via o Brasil se somará. À da retomada da democratização ou a da consolidação do autoritarismo blindado militarmente de Bolsonaro.

Não há nenhuma dúvida hoje que, se o processo eleitoral se der por cânones minimamente democráticos, Lula será eleito em outubro de 2022, no primeiro turno, tomará posse em primeiro de janeiro de 2023, o Brasil sairá do pesadelo atual em que vive, a democracia será restaurada, a economia voltará a crescer, a gerar empregos e a distribuir renda.

O Brasil passará a liderar, junto com a Argentina e o México, um novo e forte impulso de integração latino-americana, projetando uma América Latina democrática, popular e soberana para toda a primeira metade do século XXI.

Porém, caso se coloquem novos obstáculos antidemocráticos a essa via, com algum novo tipo de golpe, como preconiza Bolsonaro, e esses obstáculos impeçam a vitória do Lula e o retorno da democracia no Brasil, não somente o país terá um futuro ainda mais desastroso de todos os pontos de vista, como incentivará outros tipos de aventura similar em outros países do continente – entre eles, possivelmente o Chile, a Colômbia e o Peru. 

São dois futuros para o Brasil e para a própria América Latina que estarão embutidos nessas duas perspectivas radicalmente excludentes e contraditórias. Por isso as eleições de 2022 – e todo o processo eleitoral que na verdade já começou no Brasil – são a mãe de todas as batalhas para o país e para a América Latina.

O destino do próprio Lula – como analiso no meu livro “Lula e a esquerda do século XXI” – se identifica com essas alternativas. Uma coisa é o Lula preso na Polícia Federal, em Curitiba, outra é Lula presidente do Brasil, no Palácio da Alvorada. 

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Os Estados Unidos têm plena consciência disso. Na sua despedida do Brasil, o embaixador norte-americano, amigo estreito de Bolsonaro, afirmou que o principal problema do Brasil não é a democracia, mas a corrupção. Isto é, o risco para o país não é o Bolsonaro, mas o Lula.

A direita precisa reanimar o antipetismo, aposta que poderia retomar as acusações de corrupção contra o Lula, mesmo com todas as evidências em contrário. O convite do Bolsonaro aos militares para um golpe tem como pretexto banal a necessidade do voto impresso, mas por detrás dele o fantasma de que haveria um complô entre o Judiciário, os meios de comunicação e outras forças, que teriam tirado o Lula da prisão e o levariam ao Palácio do Planalto. Diz que os mesmos que promoveriam esse complô seriam os encarregados de computar os resultados eleitorais supostamente em espaço fechados, sem transparência e sem possibilidade de recontagem.

Lula tem um discurso vencedor, porque atende as necessidades das pessoas e do país, ancorado no sucesso do seu governo. Bolsonaro tem um discurso golpista, que atende as necessidades do capital especulativo, de evangélicos, de militares e das policiais.

Desse embate, de quem sairá vencedor, depende o futuro da democracia no Brasil e do próprio Brasil. Com efeitos negativos ou positivos para toda a América Latina.

Lula
Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

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