Da RBA

“É um cenário tenebroso. A construção desse cenário não foi obra dessa direita ‘alfafa’. É um cenário de inteligência, de estimular o caos no país, o caos comunicativo. O tecido social está fortemente corrompido com esse ambiente pesado do país, e isso não é obra do acaso, não é algo espontâneo.”

Para ele, com o domínio de “metadados” e de tecnologia de rede, junto aos meios de comunicação social nas mãos, é possível estimular “processos que vão para a psique do cidadão”. “Eu acho que nossa sociedade está psicótica. A psicose política tomou conta da nossa sociedade, e isso é uma coisa provocada.”

Para o ex-ministro, o ambiente crescente de intolerância é disseminado no país principalmente a partir de 2013. “O ódio tomou conta até dos laços familiares, dos laços de amizade.”

Fazendo uma autocrítica, Aragão afirmou que os governos do PT subestimaram a capacidade de mobilização das forças por trás desse processo social e midiático. “Nossos governos não se preocuparam em montar uma estrutura de inteligência e contra-inteligência. Era algo que a gente tinha condições de antever no mais tardar no início de 2013.”  Para ele, “os Estados Unidos são useiros e vezeiros em se aproveitar das contradições do estado brasileiro”.

O cenário no qual o Brasil mergulhou a partir da derrubada da ex-presidenta Dilma Rousseff e que culminou com a prisão de Lula começou a ser trabalhado pelas forças contrárias, incluindo a mídia e parcelas importantes do Ministério Público e sistema de Justiça, no já esquecido caso Waldomiro Diniz, em 2004, opinou. Cerca de um ano depois, explodia o “mensalão”.

“Com o episódio do Waldomiro, antes do mensalão, a gente já viu do que essa direita é capaz distorcendo fatos. Ali, a coisa estava começando a fermentar: queda do Waldomiro, escândalo dos correios, ‘mensalão’. Foram 13 anos de bombardeio”, disse Aragão.

Para ele, não há como dissociar o ambiente político de perseguição do corporativismo do Ministério Público e do Judiciário, aliados de forças conservadoras e respaldados pela mídia, ao longo de uma década e meia. Exemplo significativo da “combinação” dentro do Judiciário pela perseguição a Lula é a atitude do TRF-4 ao confirmar a sentença de Sérgio Moro. “Apesar de tanta atuação temerária do juiz, não há nenhum tipo de divergência entre os desembargadores (do tribunal). É um jogo muito rasteiro.”

Em 2005, com o ambiente político obscuro, segundo ele, Lula teve uma reação política de acordo com a situação: a opção do ex-presidente pela aliança com o PMDB de José Sarney, muito criticada por setores à esquerda do PT, mas que era um lance que ao mesmo tempo estava de acordo com o chamado presidencialismo de coalizão e era, já na época, uma questão de luta pela sobrevivência no tabuleiro político.

“A aliança do Lula com o PMDB só aconteceu por causa do mensalão, porque ele sabia que, se não fizesse, ele poderia ser o que Dilma foi dois mandatos depois”, disse Aragão no Entre Vistas.

ANOTE AÍ:

Matéria Original:

‘A psicose política tomou conta da nossa sociedade’, diz Eugênio Aragão

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