A roda viva – E, mesmo com todos os espaços das redes sociais, a maior parte da população brasileira continua , agora, sem perceber a chegada da roda viva lhe roubando o futuro!

Por: Laurenice Noleto Alves

Tem dias que a gente se sente que nem Chico Buarque quando escreveu “Roda Viva”.

No pico da Ditadura Civil Militar a maior parte dos brasileiros, que era também como agora desinformada, amordaçada, amedrontada, alienada, acovardada ou simplesmente calada (não existia Internet), assistia levarem embora os nossos sonhos, o nosso samba, a viola, a roseira …

Não foi uma ilusão passageira. O Golpe de 1964 garantiu uma Ditadura por 21 anos.

E, mesmo com todos os espaços das redes sociais, a maior parte da população brasileira continua , agora, sem perceber a chegada da roda viva lhe roubando o futuro!

Roda Viva
Chico Buarque – 1968

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira pra lá

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola pra lá

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade pra lá!

Foto: Alma Acreana

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