Seletividade editorial e deformação da liberdade de imprensa: Lula brilha. Mídia boicota

Por Grupo Prerrogativas  

Em nota, o Grupo Prerrogativas adverte para a tentativa de invisibilizar a agenda internacional do ex-presidente Lula na Europa, iniciada no dia 11
 
O menosprezo de grandes jornais e redes de comunicação brasileiros em relação à viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a países europeus não constitui apenas uma inexplicável lacuna informativa. Revela também uma preocupante deformação da liberdade de imprensa. Somente um propósito intencional justifica a omissão noticiosa destes órgãos de comunicação quanto aos significativos encontros mantidos por Lula com personalidades europeias nos últimos dias.
A seletividade editorial discriminatória tentou invisibilizar a reunião do ex-presidente Lula, líder das pesquisas eleitorais para o pleito de 2022, com o futuro chanceler alemão, Olaf Scholz, líder social-democrata que exercerá papel decisivo na condução dos interesses da União Europeia nos próximos anos. Ainda que não fosse pela relevância do encontro em si, a agenda mereceria destaque por suas implicações geopolíticas e econômicas.
Em seguida, a recepção calorosa dedicada a Lula no Parlamento Europeu, em Bruxelas, assim como o seu discurso no Plenário da Casa, tampouco provocaram uma cobertura midiática nacional à altura da relevância política da ocasião.
Desnecessário lembrar que o ex-chefe de Estado brasileiro obteve nessa oportunidade uma espécie de desagravo, após a perseguição que o levou a suportar uma prisão injusta que perdurou por 580 dias, até que fosse libertado sem culpa formada, para assistir à proclamação da suspeição do seu juiz-algoz, Sergio Moro, em julgamento do Supremo Tribunal Federal.
Não bastasse isso, a exitosa viagem de Lula sucede o desastre diplomático que representou a participação vergonhosa do atual mandatário, Jair Bolsonaro, na reunião do G-20.
Tais evidências exigem uma séria ponderação sobre as manobras que certos órgãos de imprensa são capazes de empreender, em favor de interesses inconfessáveis. São constatações que fragilizam e desmoralizam os protestos de tais organismos em resguardo da liberdade de imprensa.
Afinal, toda vez que os meios de comunicação alijam da opinião pública informações relevantes, com o objetivo de desequilibrar a balança política, resta profundamente violado justamente o princípio segundo o qual a imprensa se legitima a partir da honestidade dos serviços que presta à sociedade.
 

Block
UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

SEGUE DEPOIS DO ANÚNCIO