“Sou dona dos meus belos cachos, da minha pele cor de noite e do meu nariz”

AUTOESTIMA

Por Jocelia Fonseca 

A beleza que nos conduz para a luta

é a mesma que nos mantém no dia a dia

como feras de presas saudáveis a agarrar o que nos é de direito,

tomemos o lugar que é nosso, que nos tomaram sem licença.

A minha licença, agora, será apenas por uma questão de educação ancestral.

Mas olharei na tua cara, através dos teus olhos, e direi:

não mais conduzirás meus anseios, meu amor, minha sorte.

Sou dona dos meus belos cachos, da minha pele cor de noite e do meu nariz.

Esse nariz que não passa moldes para o qual inventaram padrão.

Vá se chatear você, quando me vir passar com um belo sorriso largo, nos meus lábios largos.

Senhor opressor, preconceituoso da minha vida

vá você se inferiorizar

vá você se deprimir

por que eu vou andar nas ruas  como se fossem passarelas a receber esta rainha negra.

Jocelia Fonseca –  Cadernos Negros. Volume 39 – Poemas Afro-Brasileiros.

Foto de Capa: Bia e Procópia Kalunga, avó e neta, do Quilombo Riachão, por Calleb Reis

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