Por Iêda Leal

“Por menos que conte a história

Não te esqueço meu povo.

Se Palmares não vive mais

Faremos Palmares de novo.”

José Carlos Limeira

 É vergonhoso quando um filho desonra aos seus ancestrais, a seu pai e a sua mãe.

Desde que assumiu a presidência da Fundação Cultural Palmares (FCP), Sérgio Camargo vomita falas absurdas contra a luta da população negra e do maior líder por liberdade do Brasil, Zumbi dos Palmares.

Nega a existência de racismo no Brasil e afirma que a escravidão, um crime de Lesa-Humanidade, foi benéfica.

Deturpa, por convicção vil, a finalidade de FCB, que é promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira.

Comemorou o 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo, utilizando-se da página oficial do órgão para publicar textos atacando a memória de Zumbi, da população negra.

Demonstra não apenas o desconhecimento total da historicidade do povo negro no Brasil, mas, também, desprezo e zombaria por séculos de luta e resistência.

Sua postura de ódio e racismo contra o movimento negro é criminosa, configura desvio de finalidade, abuso de poder e improbidade administrativa. Os áudios de uma reunião, a portas fechadas em seu gabinete, foram revelados no dia 2 de junho, evidenciando o crime de responsabilidade.

Xingou Zumbi e mentiu ao imputar-lhe o crime de ter escravizado outros pretos. Manifestou sua escravidão ao criticar o Dia Nacional da Consciência Negra e a sua intolerância às religiões de matrizes africanas, inclusive cometendo crime de injúria contra uma mãe de santo e contra os militantes do Movimento Negro.

Diante de tais declarações, fica evidente a incompatibilidade desta nomeação e sua permanência na função pública de presidente de uma autarquia para defender a dignidade de quem ele ataca, rasga a Constituição, em especial no tocante ao Artigo 37, que estabelece os princípios da legalidade, imparcialidade, moralidade e eficiência.

URGE que o MPF, dentro de suas prerrogativas, possa instaurar procedimento administrativo para apurar a prática de Improbidade Administrativa e demais crimes tipificados nos Artigos 140 e 208 do Código Penal.

URGE que o STJ acate o recurso do DPU e anule essa nomeação, que tem como objetivo sabotar, tornar a FCP inoperante e incapaz de executar os seus objetivos legalmente atribuídos, bem como o cumprimento dos deveres de enfrentamento do racismo institucional e estrutural e de promoção da igualdade racial.

URGE resgatar a Fundação Cultural Palmares como a grande referência nacional e internacional na formulação e execução de políticas públicas de defesa e valorização da cultura negra, atuando na promoção e inclusão social da população afro-brasileira. Daí sua importância no enfrentamento ao racismo e na luta pela igualdade racial.

Fora, Sérgio Camargo! Sua ignomínia não lhe permite presidir a Fundação Cultural Palmares, instituição criada para promover a preservação, a proteção e a disseminação da cultura negra, resultado da luta do Movimento Negro Unificado, na resistência contra o racismo institucionalizado e estruturado em nossa sociedade, na luta por reparação para o povo negro.

#ForaSergioCamargo

#ForaBolsonaro

#ImpeachmentJa

MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO

Iêda Leal – Coordenadora Nacional do MNU. Tesoureira do SINTEGO. Manifesto lançado pelo MNU em 21 de março de 2020.

 

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