Planet Earth in medical mask on blue. Happy holidays, lettering. Pandemic Christmas concept. Vector illustration.

Cordel de Natal

Cordel do Natal 

Gustavo Dourado em seu estilo próprio e marcante nos traz, através da literatura de Cordel conhecimentos acerca do Natal e nos convida a refletir sobre o necessário distanciamento social para que, com a vacina, 2021 seja celebrado como Um Ano-Novo de glórias

Nos idos da Babilônia
Foi Zagmuk festival
O Natal é festa antiga
Tanto quanto o Carnaval
Na velha Mesopotâmia
Celebração cultural

Marduk enfrentou o caos
Fazia-se um festival
As pessoas se uniam
Para combater o mal
Para salvar o povo
Em sacrifício ritual

Que significa o Natal?!:
Solstício de Inverno/Verão
Ritual, festa e liturgia
Crística manifestação
Luzes da cosmogonia
Na cidade e no sertão

Confraternização de paz
Prazer e gastronomia
Baco e Dioniso na festa
Cristaluzes da alquimia
Pão e vinho consagrados
Pela divina eucaristia

Família, paz e amor
Na cultura ocidental
Zeus luta com Cronos
No Olimpo sideral
Em Roma a Saturnália
Nas raízes do Natal

Jantares, festas na ruas
Com velas e ornamento
Sol invitcus brilhante
Dáva-se o nascimento
Alegria e presentes
Grandioso movimento

336 depois de Cristo
Surgiu o nosso Natal
Ouro, incenso e mirra
Na raiz do festival
Reis Magos e Pastores
Lá da banda oriental

Tinha jejum e comunhão
Um lanche era servido
Como o tempo evoluiu
Um novo rito definido
Frutas, bolo, panetone
Bem assado, bom cozido

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São Francisco fez presépio
Lutero a árvore enfeitou
Atos de ecumenismo
O costume prosperou
As meias e sapatinhos
Na chaminé nos chegou

Em 1881
Publicidade total
A Coca-Cola criou
O Papai Noel atual
São Nicolau tornou-se
Um mito comercial

Jesus foi incorporado
Pelo Império Romano
Houve adaptação
De Cristo o sol arcano
Alfa e Ômega que brilha
No multiverso soberano

Depois veio o peru
Hábito americano
Bacalhau e rabanada
Um costume lusitano
Biscoitos deliciosos
Desde o tempo romano

Uvas, vinhos, champanhe
Pinheiro, Árvore de Natal
Enfeites e ornamentos
No rito tradicional
Menino Jesus em cena
Missa do Galo ao final

Pra sublimar a miséria
Consumália e fartura
Ultrapassemos a cri$e
Divida-se a rapadura
Endurecer se for preciso
Mas sem perder a ternura

Em tempo de pandemia
Precisamos nos cuidar
Zelar pelo semelhante
Saber se distanciar
Cultivar a harmonia
Pra depois se aproximar

Não proliferar o vírus
Saber como festejar
Usar bem o protocolo
Evitar-se aglomerar
Ter esperança e fé
O novo tempo vai chegar

Pra você tudo de bom
Saúde…Fraternidade
Um Natal de equilíbrio
Luz…Solidariedade
Paz…Amor e Alegria
Sucesso e Felicidade

Um Ano-Novo de glórias
A sua estrela vai brilhar
Que tudo se concretize
Possa a vitória alcançar
Realize os seus desejos
Conjugando o verbo amar

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Feliz Natal e um Próspero 2021

 Gustavo Dourado é Presidente da Academia Taguatinguense de Letras, escritor , cordelista e parceiro da ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE

 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora

 

 

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