Desde o início quando surgiu os primeiros casos suspeitos do coronavírus no Brasil, os povos indígenas já se preocupavam com o agravante, e principalmente o risco do vírus adentrar nas aldeias.

Os grupos de risco, já conhecem bem essa história de epidemia, pois muitos povos foram quase dizimados por causa da gripe levada pelos que colonizaram os territórios indígenas.

Com o Povo Manoki não foi diferente disso. O ancião Alípio conta bem essa história, segundo ele, nosso povo eram quase 3 mil pessoas, quando foram reduzidos a 50 pessoas. Relata que quando cortavam a TI Manoki com mais de 200 hectares a pé, para buscar ajuda, passavam por várias aldeias, encontravam vários corpos deixados nas redes, enquanto os que conseguiam ainda caminhar, fugiam daquela doença, mas muitos morriam no caminho.

Histórias estas que nos deixam muito apreensivos, porque desde esse período ainda guardamos resquícios e dor das perdas. Hoje nós Manoki ainda somos aproximadamente 500 pessoas. Nesse sentido desde o início do mês estamos fazendo reuniões, entre a educação, saúde e toda a comunidade para traçar planos estratégicos de isolamento do nosso povo, para que mais uma vez, não tenhamos perdas tão precoces.

Nós estamos acompanhando todo o debate científico, e tudo que vem acontecendo em outros países, para não cometer os mesmos erros, e deixar que o nosso povo fique a mercê da própria sorte. Não há previsão de quando vai terminar tudo isso. Existem varias dúvidas e falta de transparência da parte dos nossos governantes, e ações estratégicas para a preservação da vida. É muito claro que a vida da classe trabalhadora não é importante, pois a economia se torna mais importante nesse momento tão difícil para a humanidade. E nós temos atualmente um presidente que não leva a sério a vida de todos os brasileiros, porque nessa guerra contra o coronavírus não se tem esquerda e nem direita, mas sim, vidas.

Nesse momento, as instituições indígenas, como as associações tem sido fundamentais para criação desse plano, pensando a médio e longo prazo ações para atender as comunidades. Nós, comunidade, associação e cooperativa Manoki de imediato, estamos trabalhando para providenciar alimentos, sem que a comunidade precise sair da aldeia e se expor aos riscos da cidade. Pensando que já é início de mês e muitos vão receber. E foi aí que as organizações entraram em ação, para fazer esses diálogos e compras de alimentos para essas famílias. Dessa forma a Cooperativa Manoki e as Associações Manoki Pyta e Watoholi, estão responsáveis de comprar e fazer a entrega para cada família Manoki. Assim preservando a vida de cada um do povo Manoki.

Para longo prazo, hoje tivemos uma reunião via on line, para pensar ações na área de saúde, educação, alimentação e comunicação. É o momento de pensar o plantio de alimentos nos quintais, hortas e roças, orgânicos e saudáveis, para que se em algum momento vier a faltar nas prateleiras dos mercados, tenhamos isso produzindo nas próprias comunidades, garantindo sustento e saúde para as famílias.
Dessa forma juntamente com os parceiros estamos planejando e construindo ações de enfrentamento, para que nossos povos fiquem bem, e seguros.

A nossa formação tão sonhada por nosso povo, é porque esperam que no momento mais crítico, que nós possamos ajudar, usando todo nosso conhecimento, é pra isso que defendem a educação do seu povo. Então, você que está aí só olhando as coisas acontecerem, ou está assustado, mas que está seguro, pense que muitas pessoas precisam de sua ação. O seu povo precisa de você, vamos agir enquanto ainda temos tempo e vida! Com esse intuito estamos nos articulando com parceiros regionais, Juína, Brasnorte e Cuiabá, para enfrentar esse momento tão difícil.

Fonte: Mídia ìndia – Facebook

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