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O Executivo e o Garçom 2

O executivo enebriado com aquela cena, observando a junção da música ao movimento suave do corpo da jornalista, enxerga a oportunidade de dar seu lance final, aproximando-se ao ritmo do som, envolvendo-a e oferecendo-se a provável união que estava diante dos seus olhos, pois acreditara que poderia fazer parte daquela sublime comunhão entre o ser e a arte, e, assim, ela permite que ele componha aquela dança…

 

Por Giselle Mathias

 

A jornalista nos conta que tudo iniciou bem, mas de repente, abruptamente, ele para, levanta a cabeça entre suas pernas, e diz: “Faço isso porque gosto, não porque você quer!”

Nos agitamos! Eu fiquei chocada!

A socióloga não acredita, e diz que se fosse com ela se levantaria, imediatamente, e iria embora. Concordamos todas, era muito abuso daquele homem dizer tal coisa e tratá-la daquela forma.

Mas a jornalista nos respondeu que apenas olhou para ele, com um sorriso delicado e determinou:

“Continue!”

Ela nos disse que após ter chegado ao êxtase, concedeu ao executivo mais alguns minutos de sua presença, e apesar da insistência para que ela dormisse com ele, lhe disse que iria embora, e depois se falariam novamente. Despediu-se com um beijo leve de boa noite, e foi embora.

Aquele homem se desvelara desde o início, e ela disse que seu erro foi dar a oportunidade para algo que desde o princípio já se mostrara como fracassado, poderia ter evitado aquele encontro, mas já que decidira encontrá-lo, mesmo sabendo do resultado, teria ao menos o sabor do gozo.

Os dias se passaram com o executivo tentando um novo encontro, mas como eu disse, a jornalista é sempre sincera e assim como desvela o outro, sempre se coloca desnuda diante dele. Assim, ela disse ao executivo que não seria possível mais nenhum encontro, pois a incompatibilidade entre eles era visível, e que isso só iria aumentar caso tentassem um relacionamento fosse amoroso ou não.

Me surpreendi com sua reação e a admirei mais pela sinceridade, e como ela me mostrou que não devemos nos sujeitar apenas para ter alguém ao nosso lado. Ter um relacionamento por si só não representa nada!

Após nos contar a história do executivo, ela nos pergunta sobre o que realmente buscamos, se é só nos apresentarmos a sociedade com alguém ou se queremos um parceiro de vida?

Confesso que naquele momento não soube o que responder, pois ainda tenho e reproduzo tantos padrões estabelecidos e introjetados que as vezes me confundo, mas entendo e sinto que a solidão, o estar só, não é da natureza humana, precisamos nos relacionar, e não digo que seja reduzido apenas a relação amorosa, mas precisamos de profundidade, cumplicidade, parceria e franqueza em todas as nossas relações.

Nesse momento ela decide nos contar de um encantamento que teve. Um homem que só não permanecera em sua vida, porque eles não conseguiram superar uma condição imposta socialmente, a qual, aparentemente, para ela não tinha a menor importância, mas ele com suas travas, medos e conceitos impostos sucumbiu ao padrão, e decidira se afastar dela. Além, de ter mostrado que ela ainda permanece contaminada pela estrutura social e cultural na qual foi construída.

Segurem as emoções, essa parte da história me fez questionar por que e como valoramos o humano, quando na verdade não somos mercadorias.

Bom! Vamos a essa parte da história.

A jornalista tem alguns hábitos, adora aos domingos frequentar um pequeno bistrô em que, normalmente, os frequentadores são os mesmos, e todos se conhecem. Lá, ela se delicia ouvindo um chorinho maravilhoso, tocado por uma garotada vibrante.

Nesse bistrô tinha um homem muito interessante, atento e gentil em sua função de garçom. A cordialidade, desenvoltura e o sorriso no rosto cativaram a jornalista, que ao final da noite sempre conversava com a gerente daquele pequeno bistrô. Um dia o garçom se aproximou, pois as duas conversavam sobre a importância da cultura para o questionamento do sistema e a evolução do pensamento humano.

Naquela conversa ela observou o quanto aquele homem além de gentil era inteligentíssimo, descobrira que ele já havia morado em vários outros países, sempre trabalhando para sua subsistência e se construindo culturalmente em cada estadia no exterior. Seu modo de enxergar a vida era a de vivê-la com intensidades e trocas, contatos e fortalecimento das relações humanas que experimentara.

Muitas conversas aconteceram após essa aproximação, com drinks maravilhosos feitos por ele. Esse era um agrado que ele fazia a ela, e sempre havia uma surpresa naquelas bebidas, pois ela sempre deixara que ele escolhesse os ingredientes, pois em uma das conversas ele lhe dissera que através das escolhas das bebidas, observava traços da personalidade de quem pedia. Obviamente, ela desejava ver se ele a teria decifrado, pois não escolhia os drinks, todos eram feitos por escolha dele.

Devo dizer que os olhos da jornalista se iluminaram quando falava sobre os drinks criados por ele, exclusivamente, para ela, e aquele leve sorriso nos lábios aparecera, mas com uma dose de saudades.

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