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O Executivo e o Garçom 1

Nessa noite falamos sobre os inúmeros encontros e desencontros que vivemos, trocamos nossas impressões sobre os relacionamentos, e porque muitas vezes continuamos a cair em armadilhas, apesar de conhecermos a maioria dos truques usados…

Por Giselle Mathias

 

Nessa noite falamos sobre os inúmeros encontros e desencontros que vivemos, trocamos nossas impressões sobre os relacionamentos, e porque muitas vezes continuamos a cair em armadilhas, apesar de conhecermos a maioria dos truques usados. Parece que apesar de sabermos esses truques, continuamos repetindo o mesmo padrão, imaginando que em algum momento será diferente.
Na mesa enquanto debatíamos sobre essas questões, e deleitadas com a história contada pela jornalista, uma de minhas amigas, uma socióloga de 35 anos, potente, inteligentíssima e de pensamento ágil diz que ela decidiu não mais se relacionar ou esperar algo do amor, está cansada dessas tentativas de encarceramento, e prefere hoje, simplesmente, estar só, se divertir, e quando quer, marca um encontro furtivo com alguém, e se não der, tem seu amigo borboletinha.
Trouxe a conversa a desconstrução do amor romântico que nos coloca nessa posição vulnerável e suscetível de nos tornarmos prisioneiras dos relacionamentos que se apresentam para nós.
Concordei com ela, e me senti quase uma fracassada, pois apesar de todo o conhecimento e experiências que já passei, ainda me vejo fragilizada e uma presa fácil a esse amor romântico.
Nesse momento, a minha amiga jornalista diz que é fato precisarmos descontruir esse conceito de amor romântico, mas não é algo fácil, pois é a nossa construção cultural, vimos esse modelo em todos os lugares e há muito tempo, e é introjetado na individualidade de cada ser sem que nos seja dado instrumentos para questioná-lo. No entanto, isso está mudando, não só pelas experiências vividas, mas porque hoje há questionamento a esse tipo de amor, além das mulheres, realmente, estarem se cansando desse padrão amoroso que se apresenta a elas.
Mas, a jornalista, como uma pessoa otimista, diz acreditar que mesmo dentre desses padrões podemos encontrar pessoas interessantes, e que muitas vezes o medo de se frustrar e sofrer por amor é maior do que a vontade de viver uma relação de cumplicidade, afeto e franqueza um com o outro.
Assim, ela começa mais uma história de desencontro, que a deixa nostálgica e com uma certa tristeza.
A jornalista explica que não gosta muito, mas nesse caso fará uma comparação entre dois homens que ela conhecera, fez isso para mostrar que existem caras legais e as vezes o medo, as travas e os complexos podem impedir a possibilidade de uma relação.
Vamos a história!
A jornalista nos conta que conhecera um executivo, homem bem-sucedido, aquele que se coloca e se apresenta diante das mulheres como o famoso alfa, não que ele fosse dentro do que conhecemos na natureza como o mais belo e mais forte, mas, na propaganda humana e capitalista, é o bem-sucedido que irá prover todos os desejos materiais de quem estiver ao lado dele.
Ela conta que não se interessara por ele, sua conversa era básica, era nítido que ele apenas reproduzia conteúdos (como disse Dostoievski em os Demônios), pois possuía vasta titulação acadêmica, mas nitidamente não conhecia nada da essência humana, de certa forma até a menosprezava, porque se colocava como superior, baseado em um conceito de meritocracia farsesco e que nos é vendido pelo sistema capitalista.
Nos primeiros encontros ela, simplesmente, ignorou as investidas dele, agiu com cordialidade, assim como todas as mulheres são ensinadas desde criança, mas sempre manteve o distanciamento.
No entanto, contou ela, que um dia fora convidada para um encontro entre amigos, em um famoso restaurante da cidade, e quando chegou ao local, percebeu que o único lugar disponível era uma cadeira ao lado do tal executivo. Após algumas taças de vinho, entabulou uma conversa sobre literatura (assunto que lhe deleitava). Ao final de uma noite divertida, embalada por Baco, a jornalista aceitara a carona do executivo, que no caminho até sua casa falava de seus êxitos financeiros e a cansava com o egocentrismo deste.
Após esse dia ele a buscou para novos encontros, e diante da insistência dele, decidiu que lhe daria uma oportunidade. Afinal, ele entendia de literatura e quem sabe poderia ser um companheiro, alguém que com o tempo a enxergasse além do fato de ser uma mulher.
Os encontros se seguiram, e não irei contá-los aqui por que foram até meio entediantes!
Irei apenas lhes contar o derradeiro, aquele em que ela olhou e decidiu que, definitivamente, não estaria com aquele homem, nem mesmo como amigo. Reservara a ele apenas a concessão da gentileza de um pequeno cumprimento quando se encontravam.
Vamos lá!
Depois de alguns jantares em restaurantes caros, o executivo a convida para a sua casa, e lhe pergunta se poderiam terminar a noite com um belo vinho ao som de um blues. A jornalista decide aceitar, pois precisava saber se ao menos seus corpos encontrariam uma sintonia, já que percebera não ter em suas mentes, mas quem sabe relacionar-se não seria isso, uma compensação.
Convite aceito, e os dois se encaminham a “armadilha” do executivo. A jornalista ao adentrar no apartamento observa o lugar muito bem decorado, no centro da mesa visualiza um vaso com um belíssimo buquê de girassóis, sua flor preferida, revelada em uma conversa sobre obras de arte. Gentilmente o executivo chega até a jornalista, lhe serve um Beaujolais, em uma bela taça de cristal, e coloca o blues ao fundo. Após duas taças de vinho, e a música envolvente, ela se levanta e começa a movimentar, delicadamente, seu corpo no ritmo do som do solo de saxofone, como se a música e ela fossem uma só.

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