Ailton Krenak media encontro gratuito, em São Paulo, para conectar saberes científicos e ancestrais

Durante três dias, em novembro, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi palco de um encontro lindo – chamado Selvagem – que convidou quem estava na cidade para parar e refletir sobre a vida junto com pesquisadores e pensadores de culturas diversas, que se conectam em inúmeros pontos, lindamente.

Senti muito não poder estar lá pra participar e desejei demais que os organizadores trouxessem o mesmo encontro para São Paulo. E olha só… ele não veio inteiro, com a mesma estrutura, mas foi repensado para habitar a Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, durante quatro preciosas horas – das 19h30 às 23h30 -, no dia 13 de dezembro.

Com o nome de O QUE TEM NA MATA?, o encontro paulistano, como o carioca, foi idealizado para marcar o lançamento do livro MBAÉ KAÁ, O que tem na Mata – A Botânica Nomenclatura Indígena, de autoria do naturalista João Barbosa Rodrigues, do século XIX, que respeitava a sabedoria indígena que vem das plantas. Falo dele mais demoradamente abaixo. Agora, vamos às rodas de conversa.

MBAÉ KAÁ

Como no Rio de Janeiro, Ailton Krenak mediará conversas com lideranças indígenas e pensadores sobre espiritualidade, saberes indígenas, arte, questões climáticas, Gaia, plantas, proteção e sustentabilidade.

Assim, lá estarão indígenas do povo Guarani Mbya, que vive no Jaraguá, como Sonia Ara, liderança Tekoá Ytu, Christine Takuá, educadora e filósofa, David Popyguá, líder, e Carlos Papá, cineasta.

Também farão parte das conversa Fabio Scarano, especialista em mudanças climáticas (sob a perspectiva de Gaia), Marcia Martins, advogada, ambientalista e diretora da Ecoarte, e a atriz, diretora e escritora Rita Carelli. Esta apresentará seu mais novo livro, Minha Família Enauenê, que conta sobre sua infância entre os indígenas e é lindamente ilustrado por Anabella López.

O saber indigena que vem da plantas

MBAÉ KAÁA publicação é uma contundente defesa do conhecimento nativo diante do meio científico. Mesmo com o vocabulário da época e das perspectivas do inicio do século portanto, defasadas, é um livro fundamental que reconhece a sabedoria indígena no Brasil e no mundo.

João Barbosa Rodrigues foi um naturalista visionário, falante de nhengatu, tupi antigo e guarani, amante das palmeiras, e que dirigiu o Jardim Botânico do Rio de Janeiro entre 1889 e 1909. O ambiente científico da época era positivista, mas ele já falava sobre algo que, até hoje, não se respeita completamente: que o saber indígena que vem das plantas supera qualquer sistema da natureza criado por ocidentais em seus gabinetes, cuja nomenclatura majoritariamente deixa de dizer quais são as plantas para homenagear cientistas e outros humanos.

Mas, para atualizar essa memória, esticando-a aos dias de hoje, os editores chegaram ao epicentro do Jaraguá, em São Paulo, em uma aldeia urbana do povo Guarani. Lá, em setembro deste ano, realizaram oficinas de desenho com crianças, jovens e adultos, na aldeia Pyau. O resultado desta iniciativa ilustra a nova edição do livro de Rodrigues. Por isso, a presença dos indígenas dessa região é tão imprescindível neste dia.

O livro tem notas atualizadas, apresentação assinada pelo ecoeconomista carioca Sergio Besserman e introdução de Fabio Scarano.

Lanche coletivo e água de caneca

Para manter o ambiente do encontro saudável e limpo, a organização pede que cada um leve sua caneca ou garrafinha de água para que seja evitada a produção de lixo. Não há copos plásticos à disposição.

Leve também um acepipe gostoso para compartilhar com os presentes. que faremos e também a sua própria caneca de água, para evitarmos o plástico/lixo.

ANOTE AÍ

Fonte: Conexão Planeta

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