O Arranca-Línguas: A lenda do King Kong do Cerrado

Diz a lenda que esse gorila gigante, que habita as matas da região do Araguaia, é bem maior do que um ser humano e gosta muito de comer línguas – de cabras, cavalos, bois, e até mesmo de gente. Quem já o viu contou pra quem não viu que o bicho cabeludo, de voz fanhosa e cara chata, ataca as reses de noite, e delas só retira a língua, para comer. Já dos humanos, conta a lenda que o monstro só arranca a língua dos ladrões de gado.

Dizem que ele se parece mais com o King Kong do que com um gorila africano, que perambula desde a cabeceira do Xingu até as cercanias de Goiânia. Explicam os historiadores que a região do Araguaia ficou despovoada por muito tempo pelo medo que as pessoas passaram a ter desse monstro que foi apelidado de King Kong goiano. Verdade ou não, o fato é que o Arranca Língua tem até poesia, de autoria do poeta Zoroastro Artiaga.

KING KONG

Feroz, cruel, terrível, monstruoso,

De grande força e porte agigantado,

O sertão de Goiás, misterioso,

Habita o King-Kong tão falado.

História ou lenda, o fato é curioso

E parece bastante exagerado:

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É que vagueia a procurar o gado,

Arrancando-lhe a língua, furioso.

E por todo lugar por onde passa

Assola o gado pela pastaria,

Pelo prazer de línguas arrancar.

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Ah, se tal monstro por aqui passasse,

Quantas línguas compridas tiraria!

E quanta gente sem poder falar!

arranca-linguas-www-sohistoria-com-br

Ilustração: Só História

DADO CURIOSO:  Ao contrário de tantas outras lendas, essa parece ter ano certo de nascimento. Ela teria aparecido no ano de 1929, na região de Aruana, onde ficava o antigo porto fluvial do Araguaia. Diz-se que naquele ano uma crise de febre aftosa atacou os rebanhos. Com a doença, os animais passaram a sofrer de grande “comichão” na língua. Tentando coçá-la, a rês acabava por cortar a própria língua com seus próprios dentes. De lá, a endemia se esparramou pelo resto do estado de Goiás, deixando, por onde passava, muitos animais com as línguas cortadas. Foi o suficiente para a imaginação popular criar mais uma fantástica lenda brasileira. Fonte: Consciência

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