Por Zezé Weiss

Pode ser que tudo resulte de uma grande coincidência, mas o fato é que os astros parecem ter conjurado para fazer do mês de maio um tempo de grandes prêmios para a arte brasileira da resistência.

No dia 21, o cantor, compositor, escritor e militante político Chico Buarque de Holanda lavou a alma do povo brasileiro ao ganhar o Prêmio Camões, o mais importante reconhecimento outorgado a escritores da língua portuguesa.

Por fina ironia, os cem mil euros do prêmio são pagos com recursos dos cofres públicos do Brasil e de Portugal. Ou seja, ainda que por meios oblíquos, o Brasil teve que reconhecer a genialidade de seu filho rebelde, o brilhante escritor de livros como Estorvo, Benjamin, Budapeste, O Irmão Alemão eLeite Derramado, e letrista ímpar da música popular brasileira.

No dia 24, o cineasta cearense Karim Ainouz ganhou o primeiro lugar na mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cinema de Cannes, na França, com a obra A Vida Invisível de Eurídice Galvão, sobre a história de duas irmãs no Rio de Janeiro dos anos 1950.

No dia 25, na França, o filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, retratando um povoado no sertão brasileiro, ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2019, um dos mais importantes do mundo. Bacurau empatou na primeira colocação com LesMisérables, produção francesa de LadjLy.

Por fim, no dia 26, agora em terras nacionais, Elza Soares, a intérprete que imortalizou a música “Meu Guri”, de Chico Buarque, a grande cantora negra que perdeu muito cedo o filho que teve com Garrincha, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS.

Vivemos, pois, um raro e alvissareiro momento de esperança. Ao condecorar pela primeira vez uma artista popular e negra, umas das vozes brasileiras mais eloquentes contra a discriminação e o racismo, a UFRGS se posiciona do lado de quem luta contra a injustiça e o preconceito.

Ao conceder, por justiça, o Prêmio Camões a Chico Buarque de Holanda, a comunidade lusófona comete a heresia de premiar um desafeto da direita brasileira, um incondicional lutador da resistência democrática, um caro amigo das liberdades, que jamais se omitiu de somar sua voz ao coro das milhares de vozes que clamam por #LulaLivre.

Zezé Weiss – Jornalista Socioambiental

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