Futebol: O encanto sobrevive –

Com a proximidade de mais uma Copa do Mundo de Futebol, a seleção mais vezes campeã se prepara pra um momento único, em que representa um Brasil sem divisões, na torcida. Um momento especial, em que as nações de todos os continentes entram em disputa, mas sem armas, num gesto simbólico de uma globalização carregada de nacionalismos, mas sem xenofobia, em pura paz.

Parte indissociável da cultura brasileira, brasileiríssimo, esse esporte foi por nós importado há pouco mais de um século. Um exemplo de atividade econômica globalizada, numa dialética em que convivem o gigantismo do negócio altamente lucrativo de alguns com o singelo sentimento de amor e predileção de milhões, fonte de alegria e felicidade.

Por mais que tentem, estudiosos e comentaristas pouco conseguem explicar do que é exatamente esse estado de graça.

Alguma fé religiosa sem catecismo, crendice sem misticismo ou pura causa sem partido. Um jogo simples, de fácil compreensão, que todos, de qualquer sexo, cor ou crença acham que sabem jogar, talvez esteja aí o mistério.

É bem verdade que a xenofobia e o racismo têm se feito presentes em estádios e outros ambientes do futebol. A jogadores e dirigentes dos grandes clubes europeus, por exemplo, é difícil aceitar que parte de seus elencos tenha passaporte de países pobres de outras partes do mundo e sejam de outras etnias. Pior: que na hora da copa joguem pelas suas seleções.

No entanto, são justamente esses atletas os grandes trunfos dessas equipes, que mantêm olheiros mundo afora e caçam talentos onde quer que eles estejam. Dinheiro não lhes falta e, por outro lado, mesmo no Brasil, as escolinhas de futebol já formam seus plantéis de olho nessa grana estrangeira.

É certo que há nisso um problema, pra eles.

Volta e meia, esses grandes times são desfalcados de seus craques, quando convocados por seus países, como manda a legislação esportiva. Por isso, os negociantes do esporte tentam há décadas valorizar as equipes em vez dos selecionados. Criaram torneios regionais e até globais interclubes, mas não conseguiram emplacar.

Há nos atletas um sentimento de nacionalidade, uma espécie de orgulho por vestir a camisa do torrão natal. O componente não econômico pesa na decisão. Mesmo sendo ricos e apesar de valorizarem o emprego que têm, os jogadores são ídolos nacionais, queridos de suas famílias e prestigiados pelos governos locais. Muitas vezes, notadamente na África e Ásia, são fatores de unidade nacional.

As diferenças socioeconômicas nas sociedades são sublimadas nas ocasiões em que o povo calça chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, e se aproxima da igualdade. Nas arquibancadas ou diante da telinha de TV os sentimentos convergem num sentido só, da busca do gol, da vitória.

O rico capitalista, o trabalhador sindicalista, o desempregado, o sem-terra, o fazendeiro, o intelectual comunista, todos no mesmo balaio.

São incontáveis as teses acadêmicas sobre esse fenômeno. Um dos autores mais respeitados do último século, o historiador e pensador inglês Eric Hobsbawm foi, ele próprio, uma síntese de tudo isso nos 95 anos que viveu.                 Teórico de Economia, falecido em 2012, estudou também o esporte, profundamente. Rato de bibliotecas, cansou de sentar em estádios na torcida pelo seu Arsenal.

Em sua vasta obra, ele menciona o futebol tupiniquim em muitas ocasiões, citando times e jogadores. Ao sociólogo brasileiro Luciano Costa Neto, que traduzia um dos livros dele, Hobsbawm relembra momentos da Copa de 1970 e elogia os craques Gerson e Tostão. Mas diz que uma das grandes decepções de sua vida era a de nunca ter visto Garrincha jogando em algum estádio, ao vivo.

O fato é que o futebol existe como elemento fundamental das sociedades contemporâneas, mesmo naquelas em que esse esporte não tenha se desenvolvido como parte importante das culturas locais. A grande verdade é que nenhuma história do mundo moderno será completa se não levar em conta o futebol.

DE ONDE VEIO O FUTEBOL

Jogos com bola acompanham o ser humano desde a Antiguidade. Na Grécia, um monumento em pedra retrata um jogador com uma bola, em posição de embaixada. Lá se praticava vários jogos de bola, um dos quais chamava-se spiskiros, e foi adotado pelos romanos por volta de 1.500 a.C.

Em Roma, o jogo ganhou o nome de harpastum, e era jogado de forma muito parecida com o rúgbi de hoje. O de Roma era um campo, com duas linhas nas extremidades. Os times ficavam nas linhas e, a um sinal, tinham que pegar uma bola que estava ao centro e chegar à linha do adversário.

A China se orgulha de ter sido a primeira a publicar, no ano 206 a.C., regras que se pareciam muito com as do futebol atual. E os índios Pareci, do Mato Grosso, aqui no Brasil, contam que as bolas de látex com que eles jogam, usando principalmente a cabeça, são por eles produzidas desde muito antes de os portugueses aportarem por aqui.

Na Europa atual, há muitos registros de jogos de bola desde a Idade Média. Em Florença, na Itália, era muito popular o calcio, jogado com 27 jogadores de cada lado. O objetivo de cada time era levar a bola até dois postes que ficavam nas duas extremidades do campo, como as traves no futebol.

Na Inglaterra medieval, surgiram jogos parecidos com o harpastum dos romanos antigos. Eram jogos da ralé, em que os nobres não se metiam, e ocorriam conjuntamente com festas ou celebrações populares, muitas vezes simulando batalhas.

No século 12, tornou-se hábito comemorar a expulsão dos normandos dos territórios britânicos chutando a cabeça do comandante invasor, simbolizada por uma bola de couro.

Consta que, em 1314, o rei Eduardo II proibiu os jogos com bola, tamanha a desordem que causavam nas comunidades – e, além do mais, desfalcavam os exércitos de sua majestade, tal o contingente de mutilados e até mortos que resultava de cada partida.

Mesmo proibidos, esses jogos, ou batalhas campais, continuaram a ser praticados “clandestinamente”.

SÓ COM OS PÉS

Até o início do século XIX, porém, e apesar do nome, o futebol ainda era jogado com as mãos e os pés, de modo muito parecido com o praticado 300 anos antes. Em verdade, daquela prática esportiva derivaram duas outras: o futebol propriamente dito (ou soccer) e o rúgbi, que manteve o uso das mãos.

A primeira norma escrita de futebol moderno, ainda naquele formato misto, surgiu em 1830 – The Football Rules (As Regras de Futebol), do Colégio Harrow. Nela, ficou definido o número de 11 jogadores para cada lado e as duas traves verticais como metas que a bola teria que cruzar.

Não havia ainda a trave horizontal em cima, e os jogadores normalmente entravam com bola e tudo no gol (originalmente goal, que significa “meta” ou “alvo”).

Não havia tampouco uma ordem lógica dentro de campo. A estratégia do jogo era mais ou menos assim: quando um jogador dominava a bola, com as mãos ou com os pés, os demais se alinhavam atrás dele e todos saiam em disparada rumo ao gol adversário.

Distribuíam empurrões, cotoveladas e caneladas para proteger aquele que detinha a bola, até ele cruzar a linha de gol, por entre as duas traves. Mais ou menos como, até hoje, joga-se o rúgbi.

Em l848, um outro colégio britânico, o Rugby (daí advêm o nome do esporte), publicou The Laws of Football Played at Rugby School (As Leis de Futebol do Colégio Rugby) e a confusão ficou ainda maior.

Dois anos depois, na Universidade de Cambridge, houve uma espécie de congresso de vários colégios. Nele firmou-se um código único. Mas já estava escancarado o conflito entre os defensores do rúgbi e os do futebol.

Esse embate durou mais duas décadas, até que 12 colégios se juntaram e criaram a Football Association (Associação de Futebol), em 1863, definindo as regras de futebol que, no essencial, vigoram até hoje. Tamanho da bola, limites do campo, a mediação de um árbitro, quase tudo, enfim. É por isso que esse ano é tratado como o do nascimento do futebol.

Por aquelas regras, pra poderem servir a jogos internacionais, os campos teriam que ter, no máximo, 110m por 75m e, no mínimo, 100m por 64m. As traves ganharam a metragem de 7,32m de largura por 2,44m de altura, e o pênalti passava a ser batido a 11m da linha do gol.

Até mesmo o tempo de jogo (dois períodos de 45min, com intervalo de 15min) e as dimensões da bola (68 a 71 cm de circunferência e 396g a 456g de peso) foram definidas naquela ocasião. Um juiz e dois bandeirinhas, também.

Em 1882, as associações de futebol da Grã-Bretanha (Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales) criaram o Comitê Internacional (International Board) de Associações de Futebol, que passou a ditar as regras do jogo para sempre. Os times e seleções desses países só aceitavam participar de competições se as regras fossem as do Comitê, de modo que o mundo todo acabava seguindo.

 

CHEGOU DE TREM

O futebol saiu da Inglaterra e viajou o mundo, quase sempre, acompanhando o trem. Em 1863, ano que se convencionou como o do nascimento desse esporte, o Império Britânico vivia o seu auge, e construir ferrovias ao redor do mundo era a maneira de espalhar os tentáculos do país central do capitalismo no resto do Planeta. Com os trilhos, iam ingleses, e com eles, bolas e chuteiras.

No Brasil também foi assim. Charles Miller, o pai do futebol brasileiro, era filho de uma brasileira com um inglês que viera pra cá com missão diplomática na época da implantação da São Paulo Railway Company, um dos empreendimentos ferroviários britânicos no Brasil.

Charles havia passado dez anos na Inglaterra, estudando em colégio de elite em Southampton. Quando voltou, trouxe bolas e formou dois times (The São Paulo Railway e The Team Gaz) pra ter com quem jogar, tendo como base aquela empresa ferroviária. Era 1894.

Essa mistura de engenheiros de ferrovias, operários e estudantes que voltavam da Inglaterra era a fórmula característica da difusão do futebol, e da expansão do Império Britânico. A Inglaterra ditava as regras no mundo de então na economia, na geopolítica, na cultura e, é claro, nos esportes.

No Brasil o futebol tardou um pouco a chegar, mas no Uruguai e Argentina ele já era praticado desde a década de 1860, por marinheiros e trabalhadores de ferrovias.

Aqui, porém, sua prática logo foi adotada por clubes sociais ou ligados a outras modalidades esportivas, em especial as náuticas. Daí o fato de muitos times ainda manterem em seus nomes os dizeres “clube de regatas”.

Eram clubes de alta sociedade que, no entanto, como os ingleses, tinham que recorrer a jogadores pobres ao formarem suas equipes. Muitos desses atletas eram negros ou mulatos, o que gerava profundo desconforto entre associados racistas.

A rigor, a Grã-Bretanha manda no futebol até hoje. Nenhuma regra desse esporte pode ser alterada sem que tenha o aval da Fifa (Federação Internacional de Futebol), que preserva uma espécie de direito autoral aos britânicos, através do Comitê Internacional (International Board), que tem oito membros: quatro são das associações de futebol da Inglaterra, Irlanda, País de Gales e Escócia, e quatro outros membros da entidade global.

O futebol nasceu e se expandiu com o capitalismo. Seria natural, pois, que a figura do lucro o rondasse desde o nascedouro. Mas, durante algumas décadas o esporte conseguiu preservar seu caráter altruísta, sem fins lucrativos. E assim se manteve nos países comunistas, já no século 20.

Em verdade, foi difícil no mundo inteiro, inclusive no Brasil, a implantação do profissionalismo no futebol. Ironicamente, já na Inglaterra do século 19, era o proletariado que defendia a remuneração dos atletas. As elites nobres e os capitalistas eram contra.

 

PROFISSIONALIZAÇÃO

Com a proliferação de times de futebol, até então compostos por filhos das elites, ainda que fora das escolas, começaram a faltar jogadores pra tanta equipe. Craques, então, nem se fala, era grande a escassez.

Com isso, alguns clubes ingleses passaram a incorporar operários de fábricas, inclusive os imigrantes escoceses, ao seu plantel. As elites, que haviam confiscado esse esporte dos plebeus, começavam a devolvê-lo ao proletariado, por força da necessidade.

O povo bretão havia deixado o campo em troca das cidades. Havia adotado uma nova forma de organização da sociedade, advinda do surgimento de um novo modo de produção econômica, o capitalista.

Esse novo sistema, representado pela revolução industrial, fez crescerem os centros urbanos, para neles depositar a mão de obra de que precisava. Em 1880, os operários já eram maioria no futebol inglês.

Tanto pra jogar, quanto pra assistir jogos, era preciso tempo livre. Essa foi uma das principais razões do surgimento da chamada “semana inglesa”, que liberava os trabalhadores nas tardes de sábado. Já naquela época, muitos tratavam o futebol como o “ópio do povo” – mas era, de qualquer modo, melhor do que o próprio ópio, do que o álcool ou do que a adesão à criminalidade crescente nos centros urbanos de então.

As despesas pra manter os times eram grandes e, aos poucos, começaram a ser cobrados ingressos para as partidas O público concordava em pagar, por achar justo contribuir para assistir não apenas a uma atividade esportiva, mas a um espetáculo, que encantava multidões.

Embora vingando na Grã-Bretanha, o profissionalismo demorou algumas décadas pra chegar ao resto da Europa e a outros continentes. Uma das razões era evitar que o esporte se popularizasse e saísse das mãos das elites dominantes que, em todos os países, o mantinham sob controle. Na América do Sul, o futebol profissional só foi adotado em 1931, na Argentina e Uruguai e, em1933, no Brasil.

 

NEGOCIANTES

Ao organizar, em 2000, um estudo sobre o tema, o professor John Hudson, da Universidade de York, Inglaterra, cita uma frase dita por outros pesquisadores: “O envolvimento comercial do futebol é tão velho quanto o próprio jogo”.

Até a década de 1970, o futebol continuava estruturado da mesma forma, na sua essência. Não era um negócio como outro qualquer, mas era “um negócio muito particular”, como diz o pesquisador brasileiro Marcelo Weishaupt Proni. Era uma atividade que conseguia preservar a alegria do esporte e, ao mesmo tempo, ser um negócio rentável.

Contudo, isso tem mudado bastante, no sentido de retirar a alegria do negócio. Afinal, o futebol nunca movimentou tantos recursos. Hoje, tudo é vendido e comprado, tudo tem patrocínio: a seleção, o time, o jogador, a bola, a chuteira, a transmissão, o campo. E os contratos têm cifras de Hollywood.

Em 1995, quando ainda era líder da oposição no parlamento, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, em falas amplamente divulgadas pela imprensa, afirmou:

“Eu desconfio que um jogo em que um único indivíduo possa valer 7 milhões de libras e cujo clube tem que levantar dinheiro com negócios cada vez mais lucrativos com a TV, com merchandising e caros ingressos só pode perder contato com suas raízes. Desconfio, também, que os fãs já perceberam que a linha divisória entre o marketing e a exploração já foi cruzada.”

Quando assumiu o governo, Blair formou uma força-tarefa que forçou uma série de mudanças no negócio do futebol. Inclusive em itens corriqueiros, como o do “kit-torcedor” (camiseta, boné etc.), vendido a preços escorchantes pelos clubes, que tinham um acerto entre eles. O cartel foi desfeito e os valores caíram pela metade.

No Brasil, hoje, o abuso econômico é visível, a ponto de o acesso aos estádios estar proibitivo à maioria dos torcedores. No entanto, essas questões não podem ficar afetas às entidades esportivas. É assunto dos órgãos de defesa do consumidor.

Já os horários de jogos, por exemplo, são acertados entre a CBF e as emissoras de TV. No meio da semana, muitos jogos são realizados às 22h, um horário inconveniente aos torcedores, especialmente aqueles que dependem de transporte público, mas é o que mais se ajusta à grade de programação da Rede Globo, a principal parceira da CBF na mídia nacional.

 

ENTIDADES

O futebol funciona sob as regras e a gestão de entidades, com a Fifa no plano global, as confederações em cada país e as federações internas. No Brasil, elas somam 27 (estados e Distrito Federal), subordinadas à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), um grupelho (ou máfia) de cartolas que se mantém eternamente no poder de modo nada democrático.

A escolha dos dirigentes é feita de modo fechado, de cartas marcadas, de quatro em quatro anos. Cada voto das 27 federações dos estados e DF tem peso de 3, os dos times da Série A valem 2 e os da Série B valem 1. Ou seja, a cartolagem tem 81 votos, contra 60 das agremiações.

Vale lembrar que as federações usufruem do festival de granas que existe nesse meio. Por exemplo, cada uma delas recebe R$ 75 mil por mês a fundo perdido, um dinheiro supostamente destinado ao esporte, que vira salários de dirigentes, mordomias e caixa-dois.

É bem verdade que a maioria dos dirigentes de clubes faz parte do conluio. Mas há exceções. Nas recentes eleições extraordinárias na CBF, os dois clubes mais populares do país (Corinthians e Flamengo) se abstiveram de votar, a única reação possível.

A chapa única foi encabeçada pelo dirigente da federação paulista Rogério Caboclo, de 45 anos, que é ligado ao ex-presidente da entidade Marco Polo Del Nero, banido do futebol na semana anterior por decisão da Fifa. Este, por sua vez, é herdeiro de seus antecessores no cargo, José Maria Marin, preso nos Estados Unidos por manipular resultados de jogos na Copa América, e Ricardo Teixeira, o chefão.

A linhagem de corrupção que domina o futebol brasileiro vem desde a década de 1960, quando João Havelange se deu conta de que este esporte podia render prestígio e dinheiro. Ele era presidente da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que abarcava também as modalidades olímpicas, inclusive o polo aquático, de onde ele provinha.

Nas copas de 1958, na Suécia, e de 1962, no Chile, Havelange sequer foi assistir às retumbantes vitórias brasileiras. Quem comandava o futebol na CBD era o empresário e desportista Paulo Machado de Carvalho, homem de reputação intocável. Mas ele foi alijado em 1966, na Inglaterra, quando o selecionado brasileiro passou vergonha.

Dois anos depois da Copa de 1970, já de olho na Fifa, Havelange organizou o chamado Mundialito, uma copa mundial fora de época, sem times europeus, cujo objetivo principal era atrair países asiáticos e africanos. Com isso, ampliou o número de membros da entidade mundial do futebol e criou base pra se eleger seu presidente.

O desvio de dinheiro foi tão grande nesse campeonato que irritou o ditador de plantão, general Ernesto Geisel, que pediu a criação de uma entidade que cuidasse só de futebol, como forma de retirar essa área das mãos de Havelange. Assim, nasceu a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Foi um breve período de trégua, pois Havelange deu um jeito de colocar seu genro Ricardo Teixeira no comando da nova entidade.

Este era um empresário falido, que nunca tinha mexido com esportes, mas passou a comandar o futebol e enricou rapidamente, ampliando o leque de dirigentes corruptos nessa área.

São mais de 700 os times de futebol profissional registrados no Brasil, mas a CBF não está nem aí pra eles. Sua preocupação está centrada na Seleção Brasileira, que virou uma mina de ouro por meio de nebulosos contratos de patrocínio e direitos de transmissão por rádio, TV e internet.

A cobertura de jogos e campeonatos segue o mando dos patrocinadores. O maior exemplo de descaso é o futebol feminino, modalidade em que o Brasil também se destaca, mas por perseverança de dirigentes (mulheres e homens) e de atletas que se esforçam.

 

SERÁ O HEXA?

Nos preparativos da Copa do México, em 1970, Havelange engoliu o jornalista João Saldanha como técnico, até às vésperas dos jogos, quando o general Emílio Médici, que ocupava o cargo de presidente da República, quis interferir na escalação da equipe.

Saldanha não aceitou, e o militar pediu sua cabeça, que Havelange entregou e nomeou Mário Lobo Zagalo em seu lugar.

Era o auge da ditadura, e os militares colocavam a seleção canarinha como representante do regime. Isso, somado à demissão de Saldanha, fez surgir uma torcida contrária ao nosso selecionado.

Na hora dos jogos, porém, diante da TV, eram visíveis os corações partidos. O ser político torcia contra, mas a pessoa fechava os punhos com vontade de gritar em cada gol brasileiro. E o Brasil tornou-se tricampeão mundial.

Agora, de novo, o escrete brasileiro que vai à Rússia foi organizado por um técnico que não agrada os dirigentes da CBF. Mas os cartolas cederam ao forte clamor popular e colocaram Tite do comando do selecionado, que corria o risco de ficar de fora da Copa diante de sucessivos fracassos.

O fato é que o time está nos trinques, e o sentimento geral é de que é possível ganhar mais uma. Se assim for, será o hexacampeonato.

Foto: virgula.com.br

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