A laranjeira

Júlia Lopes de Almeida

Perfumada laranjeira,

Linda assim dessa maneira,

Sorrindo à luz do arrebol,

Toda em flores, branca toda

– Parece a noiva do Sol

Preparada para a boda.

E esposa do Sol, que a adora,

Com que cuidados divinos

Curva ela os ramos, agora!

E entre as folhas abrigados,

Seus filhos, frutos dourados,

Parecem sois pequeninos.

Júlia Lopes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro, em 1862. Aos dezenove anos, começou a trabalhar na imprensa, em uma época que as mulheres não costumavam ocupar esses espaços. Em seguida, colaborou com diversos periódicos, publicou contos, poemas e seu primeiro romance, Memórias de Marta, em 1888. Além da sua expressão nas letras, era defensora fervorosa da causa abolicionista, da educação às mulheres e do divórcio. A autora estava entre os intelectuais que participaram da criação da Academia Brasileira de Letras, cujo assento número três pertenceu ao seu marido. No entanto, como o ingresso era vetado às mulheres, Júlia foi impedida de postular sua candidatura, apesar de muitos críticos da época considerarem-lhe literariamente superior aos colegas imortais.

Fonte: Tag Livros

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