Conheci Denise Farina em uma daquelas noites quentes de São José do Rio Preto, quando ela já estava em tratamento de um câncer  de mama, e eu apenas começava a atacar  esse outro que me pegou de jeito. Jantamos com um grupo de amigas, mobilizadas por minha prima Stella, que mora por aquelas bandas.

Conversas entre gente que acaba de se conhecer, em especial quando há na área pessoas fragilizadas por uma doença tão estigmatizada como o câncer, em geral são cheias de dedos. Conosco não foi diferente. Naquela mesa falou-se de tudo: trabalho, família, viagens, mas que eu me lembre, pouco ou quase nada de câncer.

Com Denise em particular  troquei algumas palavras sobre o assunto, generalidades apenas. Mas, dali por diante,  nós duas passamos a acompanhar a espiral de recuos e avanços dos tratamentos uma da outra, por meio de nossa anja Stella. De cá e de lá vamos, do jeito que dá,  insistindo na esperança.

Agora recente,  me chegam  excelentes notícias dos “meandros” de Denise. Pois não é que a danadinha montou uma exposição inédita de mobgrafias no Rio Preto Shopping?

Nessa  tocante exposição,  lançada no dia 15 de setembro (corre lá, a visitação é gratuita, mas só fica até o dia 30 de novembro!), Denise apresenta seu novo ponto de vista sobre o mundo a partir do tratamento do câncer. São os “Meandros do Olhar” da arquiteta Denise Farina, acima de tudo uma forte.

O catálogo da mostra informa que  a exposição traz dez placas de dois metros de altura com um olhar especialmente adquirido por Denise ao visitar, a convite da irmã,  locais como Grécia, Itália, França, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Chile, Bahia e Minas Gerais entre 2014 e 2016.

Denise decidiu que, durante as viagens, registraria tudo a fim de que, um dia, pudesse compartilhar com muitas pessoas essa nova forma de olhar a vida. Como não tinha condições de levar equipamento fotográfico, a solução foi utilizar o smartphone.

Deu no que deu. A experiência resultou nesses “Meandros do olhar”,  uma emocionante lição sobre como a forma de olhar as coisas pode sofrer alterações quando paramos para observar o mundo de uma outra perspectiva.

“Percebi que meu olhar, mesmo encantado com tanta beleza e diversidade, tinha mudado. Não era um olhar de turista; era um olhar ávido pela vida, por qualquer coisa que me mostrasse além do que eu via”, conta Denise, que assim explica essa lindeza de trabalho:

“A mostra é um pouco das coisas bonitas que a vida pode nos dar quando nos propomos a parar e perceber que olhar é diferente de ver e que ver é perceber com o coração. A imagens não têm a pretensão de ser arte. O que me importa é a sede de ver, de sentir; é o brilho do olhar ao descobrir que a imagem editada veio carregada de sentimento… Enfim, é a intensidade de poder expressar o viver mais um dia. Um de cada vez, até quando eu puder”.

Bravo, Denise!

 

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Denise rodeada de afetos na abertura da exposição

ANOTE AÍ:

Mobgrafia é a fotografia mobile, linguagem apreciada por quem  registra, edita e publica imagens por meio de equipamentos móveis, como smartphones  e tablets. É por meio de imagens captadas  por um celular que Denise conta um pouco da experiência vivenciada a partir de 2013, quando descobriu a doença.

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Denise Farina e amiga jornalista Stella Coeli Ferreira

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O catálogo dos meandros de Denise

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Uma visão da linda mostra de Denise

Fotos desta matéria: Acervo Denise Farina

 

About The Author

Zezé Weiss

Jornalista
Socioambiental

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